quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

“Capítulo 20: … Os primeiros desejos… A primeira ecografia!"

O médico deu-me um papel para limpar a barriga, limpei-a, e enquanto ele se sentava na mesa em frente á sua secretária, eu baixei a camisola mas deixei continuar a mão sobre a barriga. Não conseguia deixar de ser mãe por um instante que fosse, embora o teste positivo fosse o primeiro sinal positivo e certo que estava grávida, ver uma imagem do meu filho causava um sentimento especial em todas as mães, era impossível não causar. Soltei duas lágrimas envergonhadas, aquele sentimento batia forte em mim, era uma esperança mas também um medo que nascia em mim, o meu medo de o perder era mais forte que nunca e se isso acontecesse eu não conseguia aguentar toda a emoção, todo o sofrimento que vivi com a dor do Rodrigo, a dor piorava a cada pessoa que dizia que o bebé estava morto, e pior que isso foi ver o meu filho nascer… Morto! Foi a dor de ter um filho mas não o poder educar, senti-me a pessoa mais impotente do mundo, senti-me uma irresponsável incapaz de ter um filho, de lhe dar vida, de conseguir carrega-lo durante 9 meses no meu ventre e educa-lo até ao meu último suspirar.
Apesar da gravidez do Rodrigo ser vivida ainda no início dos meus 16 anos, a minha mente e o meu coração já estavam preparados para receber o meu filho, ainda tenho muito que viver, é verdade, muito que aprender e sentir mas ser mãe ia mudar tanto a minha vida, os meus sentimentos, e assim que o perdi senti que precisava de sentir alguma emoção boa, por isso eu cortei-me. Cortei-me sim, alguns dias depois de perder o meu filho e no dia em que ele nasceu morto, não conseguia sentir emoção nenhuma, já tinha sofrido tanto na pele, apesar das minhas atitudes devastadoras eu não merecia tamanho sofrimento, chorei sozinha durante dias a fio, não comida, não dormia, não fazia mais nada a não ser chorar, e quando finalmente coloquei na minha cabeça que não podia fazer mais nada, cortei-me, talvez fosse uma maneira de sentir qualquer emoção, boa ou má eu queria apenas senti-la. O corte não foi muito profundo, foi bastante superficial até, ainda hoje está presente na minha vida, no meu dia-a-dia, um corte no meu pulso, não o demonstro a ninguém, e tapo-o com um relógio, não quero falar sobre ele, por muito que me memorize não me causa mágoa, não foi uma descarga de adrenalina foi uma vontade de sentir emoção de uma forma estranha e tão bizarra.
Sentei-me na cadeira em frente ao doutor e ele deu-me a fotografia da ecografia, sorri, agradeci, despedi-me dele e fui novamente até ao quarto onde estava o Nico e a Rita, mostrei-lhes a imagem da ecografia, ou melhor atirei para cima deles, sentei-me no sofá e liguei a televisão. A Rita e o Nico aproximaram-se de mim e a minha prima perguntou:

-Qeu isto é o meu primo? – Acenei positivamente com a cabeça, ela abraçou-me e estava tão feliz quanto eu, não tinha dúvidas algumas que ela estaria disponível para mim sempre como esteve até agora, e o Nico apesar de tudo me iria apoiar, mas até me perdoar ainda havia muito a percorrer. Esta gravidez já me ensinou tanto de tantas maneiras diferentes, Deus dá-nos sempre segundas hipóteses temos é de saber aproveitá-las, segundo se amamos alguém (o que não é o caso com o Ezequiel sinto um sentimento estranho quando estou com ele que nunca antes vivi mas não é o caso para o chamar). E ensinou-me que apesar da minha terna idade, aos poucos vou-me habituando á ideia de ser mãe.

-Parabéns. O puto é lindo vai sair á mãe! – Abraçou-me, ao início fiquei reticente mas retribui, se neste momento fosse escolher os padrinhos para o meu filhote não hesitaria, seria sem dúvida alguma a Rita e o Nicolás, apesar de tudo aquilo que fiz que eles não compreendem e por vezes nem eu compreendo, eles… Aceitavam-me! A mim e ao meu filho, e nunca, mas nunca sequer me perguntaram se tinha engravidado propositadamente, a minha prima eu sei que não pensaria nisso conhecem-me demasiado bem e saberia que depois do susto com o meu filho não o faria e o Nicolás que embora não me conheça bem sabe “o que a casa gasta”.
Sentamo-nos todos no sofá e adormeci, aliás adormecemos todos durante algumas horas. Quando acordamos começamos a falar sobre a emoção do filho, mas também sobre a operação do Ezequiel, eu tentava ser forte mas não conseguia, aguentava ao máximo as minhas lágrimas mas não dava, a ecografia demonstrava-me a manchinha mais bela do mundo, o bebé que estava em mim, que precisava de mim e que foi formado por minha causa e do qual dependia totalmente e incrivelmente de mim, era heroico a energia que ele me transmitia. A Rita fazia tudo para me animar e também ao Nico mas os nervos da operação não me deixavam respirar mais do que isso mesmo… Medo! Até que talvez as hormonas falassem mas tive um desejo, o meu primeiro desejo, seguido de um vómito. Corri á casa de banho e vomitei mas fiz sinal que ninguém me seguisse. Limpei-me, arranjei-me e voltei para junto deles e disse:

-Tenho um desejo. – Ambos sorriram e aí continuei. – Tenho desejo de comer amendoins. – O Nico veio a correr ter comigo e abraçou-me, a Rita abraçou-o por trás, fazíamos assim um abraço de felicidade, um abraço grande e feliz. Nunca tive desejos de grávida, nem mesmo durante os meses de gestação do Rodrigo, nem enjoos, estava tudo normal mas estava gravidez mudou muito comparada com a anterior. Parecia que estavam mais contentes que eu com aquele desejo e eu não pude sentir-me mais conformada com aquele apoio, mas faltava a missão mais difícil… Dizer á minha família que estava grávida! Não sei como diria outra vez á minha mãe que estou grávida, da primeira vez não aceitou bem e discutimos imenso, mas acabou por aceitar. Mas nessa altura era tudo um pouco diferente, eu tinha 16 anos há pouco celebrados e estava grávida de 3 meses e agora tenho mais dois anos de vida e quase menos dois meses de gravidez. Até que a Rita começou a chorar, limpei-lhe as lágrimas e o Nico deu-lhe a mão, ela sorriu e eu disse:

-Oh tonta sou eu que estou grávida e com as hormonas todas trocadas logo devia ser eu a chorar. – Soltei algumas lágrimas, talvez duas ou três de emoção. – Por isso vê se paras de chorar que agora alguém tem de ir comprar os meus amendoins. – Sorrimos todos.

-Vão vocês os dois ao bar do hospital e se não encontrarem por aqui vão á procura que é o que mais há aí a venda. Eu vou ficar por aqui á espera que me digam alguma coisa da operação do pai da criança. – Atirou-nos para fora do quarto e lá fui com o Nico até ao bar do hospital, que por sorte tinham amendoins. Embora eu só quisesse um pacote o Nico acabou por comprar 6 pacotes, dizia que dois eram para ele e para a Rita e deu a desculpa que 4 eram para mim e para os gémeos… Embora ele dissesse aquelas palavras em tom de brincadeira a ideia passou-me por segundos pela cabeça. Ainda agora aceitei a ideia de ser mãe e já pensaria nisso em duplicado. E quem imaginava eu chegar junto á minha mãe e dizer que estou grávida e em dose dupla ou tripla isto porque quando falamos em gémeos existe as mais variadas opções! 
Voltamos para o quarto e encontramos a Rita a falar com o médico que mal nos viu disse:

-Ainda bem que apareceram, acabei de falar com a vossa amiga e estava á vossa espera para dar novidades sobre a operação do Ezequiel. – Arrumei o pacote nas minhas calças e parei de comer, ou melhor acabei de comer o que ainda faltava na minha boca. E olhei para o médico e pedi para continuar, ele assim o fez. – A operação do Ezequiel correu melhor do que estávamos á espera, bem melhor. Daqui a uns minutos vem até ao quarto, já passou o tempo de recobro e só agora avisamos-vos porque informaram-nos que havia uma grávida aqui presente. – Olhou para mim e sorriu. Foi ele o médico que operou o Ezequiel e também me acabou até ao médico que me fez a operação. – Daqui a 5 minutos aparece mas tenham cuidado por favor, por enquanto ele precisa de muita atenção e de pouco esforço. E pedia para por favor só estar presente um de cada vez na sala. – Mal se vira uma médica trazia-o deitado na maca, mas não parecia ele, estava sério e não estava pensativo, estava distante, mas estava consciente. – Agradecia que dois de vocês fossem até lá fora e que entrassem depois e também que as visitas tivessem a duração máxima de 10 minutos. Uma enfermeira ficará durante esse tempo com vocês.
A minha prima e o namorado saíram do quarto e eu fiquei com o Garay que não reagia, aproximei-me dele e dei-lhe um beijo na testa e disse:

- Ezequiel já tenho a primeira ecografia do nosso filho! O petiz ainda só tem 6 semaninhas de gestação mas já tem parecenças contigo, é um preguiçoso nato! – Ele sorriu e peguei na sua mão, coloquei-a sobre a minha barriga e coloquei a minha mão sobre a sua. Ficamos um minuto em silêncio, não queríamos palavras, não queríamos gestos, queríamos apenas sentir o nosso filho. Separei-nos e fui até ao sofá, trouxe a ecografia do nosso filho e entreguei-lha. Não conseguia traduzir o que os seus olhos diziam, não entendia e provoca um nervoso miudinho em mim, talvez uma vergonha de sentir qualquer emoção, eu não conseguia traduzir mas também não queria falar, queria que a ecografia falasse por si.

Porque será que Qeu não consegue traduzir o que as palavras não diziam?
O que mudará aquela ecografia no futuro dos 3? O que dirá Ezequiel?

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Capítulo 19: "A Confirmação"

Ele olha-me sério com a cara rodeada de suores frios, doía-me na alma vê-lo assim, magoava-me vê-lo naquele estado, tudo por minha causa, a minha intenção não era de todo magoá-lo a esse ponto mas sim pregar-lhe uma partida. Com as poucas forças que lhe restavam responde:

-Eu desculpo-te Qeu. – Soltou um gemido de dor. – Mas podes esquecer que existe um nós, estou farto de lutar para que exista e tu maltratas-me, deite-te a última oportunidade e tu deixas-me nesta cama de hospital. Vou ser o pai do nosso filho mas se alguma vez sentiste alguma coisa esquece. – Fizeste asneira Raquel, não podias ter feito nada pior, estragaste a única oportunidade que tinhas com ele, não queria magoá-lo nem física nem psicologicamente, apenas fui eu mesma, e não pensei que a minha infantilidade pudesse destruir o que ele sentia por mim. Beijei-lhe a testa e o médico deu-me ordens para me afastar, assim o fiz e ele seguiu com ele, agarrei-me á minha prima e comecei a chorar, não é de mim libertar aquelas emoções ao pé de ninguém mas é demasiada pressão sobre a minha cabeça. Engravidei, simplesmente engravidei por inconsciência, coloco na cama de hospital o homem que será o pai do meu filho, isto é se vier a nascer, homem ao qual destrui todas as probabilidades de estarmos juntos graças á minha infantilidade e pelo qual percebi que tarde demais que nutria um sentimento especial. Tenho medo de perder este filho como perdi o Rodrigo com 4 meses de gestação e tenho medo de não conseguir ser mãe, não tenho condições financeiras e emocionais para ser mãe e desisti da escola no 9ºano, para lutar por um sonho de puder desenhar no futuro, de puder criar moda pelas minhas próprias mãos. Sento-me sobre uma cadeira e a Rita vai chamar o Nicolás, fecho as mãos, coloco ambas as mãos sobre a minha cabeça e o Nico coloca-se á minha frente e pergunta:

-Que é que te deu na cabeça para fazeres isto ao Ezequiel? – Levantei a cabeça e enfrentei-o olhos nos olhos. -Se gostas de dor dá cabo de ti e não dês cabo dos outros. O Ezequiel vai ser operado e só Deus o que lhe reserva o futuro. – Levantei-me e aproximei-nos, não tinha medo dele, tudo o que me dizia era verdade mas eu não tinha que ouvir aquilo da boca dele, eu tinha consciência de tudo o que fiz. 

-Caso não te lembres estás á espera de um filho dele! O que é que vieste fazer aqui?! Causar problemas? Achas que ele já não sofreu o suficiente. – Deitei lágrimas envergonhadas dos meus olhos, magoava-me ouvir tudo aquilo. A Rita colocou a mão no seu ombro e disse:

-Tem calma amor, a Qeu já sabe que fez asneira. Não foi? – Olhou para mim fazendo aquela pergunta retórica, deixei o meu orgulho e vergonha de lado, mostrei o meu lado mais lutador, o meu lado mais mulher que nunca demonstrei ao Ezequiel e é tarde para demonstrar mas ia demonstrar ao Nico que tudo aquilo era verdade mas estou arrependida.

-É muito bom julgar os outros sem conhecer. – Lancei um sorriso irónico. – Não sabes o porquê de o ter magoado, de ter feito o que fiz, não tens o direito de me julgares só por seres um jogadorzito e por namorares com a minha prima não te dá o direito de mencionares seja o que for da minha vida. – Respirei mas não lhe dei tempo para que respondesse. – E não sabes se estou grávida do Ezequiel, sabes porquê? Porque nem eu sei! – Comecei a chorar impulsivamente, na verdade eu já tinha imaginado o futuro do meu filho com o Ezequiel, já tinha imaginado um futuro connosco, já tinha imaginado o nascimento dele, as primeiras ecografias, a escolha do nome que não seria fácil, a ecografia onde se saberia o sexo, até imaginei que fosse um menino e o nome escolhido fosse Francisco, por minha escolha e aceitação do pai. A Rita abraçou-me e o Nico ficou sem reação, chorei compulsivamente nos ombros da minha prima, ela nada me diz, deixa-me apenas chorar, o Nico abraça-nos pouco tempo depois e limpa-nos as lágrimas, isto porque tanto eu como a Rita estivemos a chorar nos braços uma da outra. Sentamo-nos no sofá que havia no quarto e eles dizem-me para contar o que se passou, não me sentia ainda 100% á vontade para falar sobre tudo o que foi a minha vida até agora mas talvez fosse a melhor maneira de libertar emoções:

-Eu sempre fui muito diferente das raparigas da minha idade, sempre gostei de fazer o que me estava na cabeça e me vinha na alma, posso dizer que desde sempre me consideraram infantil porque sempre cedi às minhas tentações. Com 15 anos fui divertir-me para uma discoteca e acabei por perder a virgindade com um rapaz que pouco ou nada conhecia, imaginem a minha cara quando acordo no dia seguinte com um rapaz que mal conhecia ao lado. – A Rita olhou-me sem reação, ela não sabia que foi assim que perdi a minha virgindade, pensava que a tinha perdido com um namorado duradouro. – Mas acabamos por começar a namorar, visto que também era a primeira vez dele apesar de ter 19 anos, a relação e o sentimento começa a crescer e já quando sentíamos que gostávamos um do outro até descubro que estou grávida, e digo-lhe e ele desaparece da minha vida. Foi como roubarem-me o mundo, estava grávida de 3 meses, já não podia fazer nada á criança mas mesmo que pudesse não o faria, mas sabem? Era reconfortante ter uma última opção e para mim estava fora de questão dá-lo para opção. Aos 4 meses acabo por perdê-lo, depois de descobrir que era um rapaz e de lhe dar o nome Rodrigo, a minha barriga já se notava e a dor de dizer a todos que perdi o meu filho tornava-se difícil a cada pessoa que o fazia, a dor não desaparecia. – O Nicolás estava boquiaberto, não sabia que tinha perdido um filho desta forma. – E quando conheci o Ezequiel senti logo alguma coisa, não sei explicar e quando lhe dei luta e ele não desistia fez crescer algo em mim, mas não aguentei tinha medo que ele dissesse que me amava e no fim me abandonasse, de ficar magoada novamente. Entendem? – Os dois acenaram positivamente com a cabeça. – E quando descobri da gravidez tive medo que ele me abandonasse como fez o outro. Eu já tentei mudar, deixar de ser infantil, tentei amá-lo sem barreiras, mas não consigo. Tenho medos, dúvidas, e para além disso, eu não acredito em casamentos e namoros duradouros, eu quero ter os meus filhos e nenhum homem a seguir-me e sei que o Ezequiel é o contrário, é um homem de família e eu sou simplesmente eu… Não quero nada mas quero tudo, quero realizar os meus sonhos, quero simplesmente ser eu e não quero amar ninguém, quero viver para sempre jovem sem medos e sei que com o amor tudo muda. – Levantei-me limpei as minhas lágrimas e sai de junto deles a correr. Disse tudo o que me vinha na alma, tudo o que escorria no meu coração, as palavras que nunca pensei dizer, apesar de só ter 18 anos já tenho uma história só minha para contar. Perguntei a um médico se poderia realizar uma consulta de urgência e ele mandou-me para as urgências ou então que marcasse uma consulta mas demoraria diverso tempo, eu agarrei-o pelo braço e expliquei:

-Oiça o homem que amo está neste momento a ser operado, e eu estou á espera de um filho dele… - Fiz uma pausa breve. – Quer dizer, eu penso que estou grávida, sinceramente não sei, fiz o teste de gravidez e deu-me positivo, mas a menstruação apareceu. Neste pensamento não sei o que pensar ou fazer, quero apenas ter a certeza. Por favor farei tudo se me ajudar desta vez. – O doutor respondeu:

-Não preciso de nada muito obrigada, já vi que é urgente, por favor acompanhe-me. – Começou a andar apressadamente e eu segui-o, entramos para o consultório e o primeiro doutor pediu que me sentasse, falou para o segundo:

-Henrique preciso de um favorzinho teu, se atenderes esta senhora e mais logo se estiveres de serviço, pago-te o jantar. Agora tenho que me ir embora que tenho uma operação para fazer. – Virou costas e foi-se embora, nem tive forma de agradecer mas pela sua conversa entendi que talvez fosse o senhor que ia operar o Ezequiel, não sei mas fiquei com a sensação que era, que pontaria Qeu!

-Então diga-me lá o que de tão urgente se passa. E claro o que posso fazer por si. – Sorri e com toda a delicadeza expliquei o que se passava:

-A minha menstruação estava atrasada 6 semanas e fiz o teste de gravidez, inclusive tive todos os sintomas típicos de gravidez, e acabou mesmo por dar positivo, mas a menstruação reapareceu apesar de o teste ter dado positivo. Já estive grávida há 2 anos mas perdi o bebé já com 4 meses de gestação. Será que me podia dizer se estou realmente grávida e se sim quais são as probabilidades do menino morrer no meu ventre devido ao meu historial e as circunstâncias em que esta gravidez está envolvida.  – O senhor olhou-me atentamente e depois de pensar durante um bocado respondeu:

-Posso recomendar-lhe fazer análises, ou então se preferir podemos fazer a primeira ecografia para nos certificarmos. Mas aconselho mesmo que marque uma consulta de ginecologia porque não consigo dar-lhe muita informação porque não tenho aqui o seu historial. E quanto a sua primeira gravidez e quanto a esta possível, em diversas gravidezes a menstruação aparece por vezes é natural noutras circunstâncias é caso para preocupação. O que prefere fazer? – Não aguentava esperar diversos dias para saber o resultado das análises, queria sabê-lo de momento e após pensar respondo:

-Senão se importar prefiro que me faça uma ecografia e descanse que quero pagar esta consulta. – O senhor levou-me até a uma maca que estava ao lado da máquina que realiza ecografias, levantei a camisola, e ele colocou o líquido sobre a minha barriga, a temperatura fria causou uma sensação estranha em mim, não sei se era um nervoso miudinho ou se era só por causa da temperatura. O doutor ligou a máquina e colocou a máquina sobre o líquido, vi a primeira imagem naquela máquina, era oficial eu estava grávida, fiquei sem reação, o meu futuro estava naquela imagem é como uma luz ao fundo do túnel na minha vida romântica com o Garay, não engravidei para ficar com ele, simplesmente aconteceu mas não sei o que pensar, estou grávida e o pai do menino está neste momento a ser operado por causa de um golpe que lhe dei.




Como será que correu a operação de Ezequiel?
Que opção terá Qeu em relação ao bebé? Será que ainda existe uma hipótese para esta história de amor?

sábado, 29 de dezembro de 2012

Capítulo 17: “Juntos vamos educar este filho, que é nosso: é teu e meu“

Não sabia o que pensar, o que fazer, instintivamente pego no carro para ir ter com o Garay, não sei o que me deu, não pensei no que fiz, fi-lo e pronto, talvez perdida em pensamentos foi a primeira pessoa que me surgiu na cabeça, talvez porque seja ele o pai ou algo mais, também porque sabia que não estava sozinho assim não poderia reagir a quente, a Rita e o Nico impediriam que algo acontecesse e duvido que estando grávida ele me respondesse do mesmo modo que eu o magoei (física não psicologicamente), já no caminho ligo para o Nico, isto tudo porque não tenho o número do Garay e se tivesse duvido que me atendesse depois do que lhe fiz, mas sei que o golpe não foi demasiado mau para o condenar á infertilidade, mas quem me atende é a minha prima e começamos a conversar:

-Qeu vem ter connosco, o Ezequiel está nas urgências do Hospital Garcia de Orta, está a contorcer-se com dores. – Por um lado senti um arrependimento a sugar-me o corpo, fui demasiado dura com ele, não mereceu a minha atitude mas estava a pagar por uma atitude talvez infantil, não era minha intenção magoá-lo, era só pregar-lhe um susto. Mas não ia dar a minha parte fraca, não ia mesmo, posso estar grávida (ou talvez não) mas sei perfeitamente o que faço, fiquei preocupada e com um peso na consciência claro.

-E ele está bem? – Foi a única coisa que me saiu, podia ter perguntado um milhão de coisas mas optei pela mais parva sinceramente.

-Que e que tu achas Raquel? Está nas urgências do hospital depois de levar um murro nos testículos teu e tu ainda tens a lata de perguntar se está tudo bem? Tu tens noção que se eu e o Nicolás não estivéssemos chegado á hora que chegamos podia ter sido ainda mais grave? – Obrigada Rita por me teres posto ainda pior, obrigada por me teres posto ainda mais peso na consciência, claro que me estou preocupada com ele, fui eu que fiz a asneira, ele é o pai do meu filho, a minha intenção não era pô-lo nesse estado, era simplesmente manter a distância suficiente entre nós, não consigo aguentar isto tudo, sou humana e estou grávida é demasiada emoção para uma só pessoa.

-Eu sei que fiz asneira, escusas de me lembrar. E fica sabendo que vou já a caminho do hospital para ver como ele está e pedir desculpas, é o mínimo que posso fazer. – Contive as minhas lágrimas ao máximo quando a minha vontade era chorar, não sei bem explicar bem porquê não era só culpa, era algo mais que isso, não sei explicar talvez seja a emoção e as hormonas que a gravidez me deu.

-O Ezequiel não te quer ver. – Fiquei pasmada, mas não ia ficar sem resposta.

-Ele não tem escolha e eu também não lhe perguntei, vou vê-lo e pronto.

-Qeu é melhor não, ele pode ser operado daqui a pouco tempo e a última recordação que ele quer ter não deve ser a rapariga que o pôs neste estado, depois logo se vê. – A Rita estava a tentar acalmar o Nico, ao mesmo tempo que falava comigo, sabia que ela estava próxima do Ezequiel, entendi logo que estava a tomar conta de três mas eu sempre se segui contra as regras, pelo que sempre quis e não ia dar ouvidos a ninguém. Desliguei a chamada, estacionei o carro e fui até às urgências, havia imensa gente á espera de ser atendida mas não os via, fui até ao atendimento e perguntei:

-Olhe desculpe pode-me dizer onde está o Ezequiel Marcelo Garay? – A senhora olhou-me com cara de gozo e num tom assim perguntou:

-Acha que mesmo se pudesse lhe dava esse tipo de informação? – A minha vontade era saltar aquela bancada e lhe espetar um estalo mas não ia descer ao nível dela, nem pensar, respondo com todo o tom estranho que havia em mim, um tom sínico.

-Oiça lá só porque a senhora está a fazer atendimento ao público e já teve de lidar com pessoas menos simpáticas não significava que eu seja igual a elas. – Agora mudei o meu discurso para um tom simpático e honesto. – Eu estou grávida mas precisamente á espera de um filho dele e tanto eu como o meu filho estamos preocupados, por isso agradecia que me desse essa informação se não fosse muito incómodo. – A senhora começou a rir-se, tocou na colega ao lado que olhou para ela e cochichou, mas suficientemente audível para eu ouvir:

-Já viste isto? As miúdas de hoje estão tão desesperadas por saberem dos seus ídolos que já inventam mentiras sem pés e cabeça! – Começaram a rir-se as duas e a minha vontade era de saltar aquele balcão e desfazer as duas á chapada.

-A menina sabe-me dizer quem o está a acompanhar? – Apareceu uma senhora vestida de enfermeira atrás de mim a fazer-me aquela pergunta e eu respondi, talvez fosse a minha oportunidade de o encontrar.

-Sei sim, está o Nicolás Gaitán e a minha prima Rita. – Disse e ela olhou-me. Era uma enfermeira bastante simpática e bonita, talvez fosse a minha escapatória para os ver, ou melhor para ver o Ezequiel, queria pelo menos dizer-lhe que lamento o que fiz, a minha intenção não era de todo magoá-lo era só uma brincadeira que correu mal.

-E sabe porque razão ele está internado? – Eu queria muito vê-lo, queria vê-lo e saber como estava mas aquele interrogatório da enfermeira estava-me a deixar nervosa mas entendi que era normal querer saber toda aquela informação para se certificar que o que dizia era verdade.

-Sim, dei-lhe um murro nos testículos. Será que me pode levar até ele? Tenho mesmo de lhe pedir desculpa. – Agarrou no braço e levou-me a correr até junto dele. O Nicolás estava á porta e assim que me viu olhou-me com olhos de raiva, de ódio, era compreensível, magoei um grande amigo e não só coloquei-o no hospital. Entrei no quarto juntamente com a enfermeira e olhei para a Rita que se demonstrou triste com a minha atitude, não só porque fiz o contrário do que ela me pediu mas porque magoei o Ezequiel, sou diferente das raparigas da minha idade, faço tudo o que quero mas nunca magoei ninguém a este ponto, aproximei-me do Ezequiel que estava a ser acompanhado por um médico e embora meio zonzo, dei-lhe um beijo na testa mas as suas expressão não mudavam, estava triste e desapontado, nada me magoava mais que isso, saber que ele estava magoado comigo e sussurrei-lhe:

-Desculpa Ezequiel, não era minha intenção magoar-te não de todo, apenas queria pregar-te um susto. Ver-te mal é o pior sofrimento que me podiam causar e eu quero que melhores rápido para juntos educarmos este filho, que é nosso, é teu e eu aceito educa-lo ao teu lado mas para isso tens de ficar bom, vai assumi-lo e preparar-te para esta oportunidade, não pensada nem desejada mas que aconteceu por algum motivo. Desculpa Ezequiel.

O que será que o Garay vai responder?
Será que Raquel está mesmo grávida? O que espera o futuro daquela relação?

sábado, 22 de dezembro de 2012

Capítulo 16: "Não há um nós, há sim, eu, tu e o bebé"

Queria dedicar este capítulo a uma pessoa super simpática e que demonstra cada vez mais o seu valor comigo, toda a atenção, todo o cuidado e todo o carinho, Obrigada Cátia Mira autora de http://amoateaofim.blogspot.pt/; "Amo-te até ao fim", e porque sou a autora favorita dela xD Beijinhos 

O beijo foi intenso, deixei-me levar, não sei bem explicar, teve uma mistura de doce com violência, era uma mistura louca de qualquer coisa que eu não sei bem traduzir por palavras, não o amo, isso não, nem acho que goste dele para estar numa relação e não acredito que se algum dia tivéssemos uma relação resultasse e também quem precisa de uma relação para nos ligar quando iremos estar ligados para o resto da vida, o nosso filho traria desse assunto para sempre, ai que poético Qeu! Eu nem quero que ele o assuma, ou aliás quero simplesmente que ele assuma mas não queira saber dele, podem dizer á vontade que assim escolhi o homem errado mas olhem eu não escolhi, simplesmente aconteceu, eu quero ser mãe solteira, sei bem que é difícil ser mãe solteira, sinto quase que o fui do Rodrigo apesar de ele não ter nascido, acarretei sobre mim mesma tudo o que aquele bebé trazia, já tinha algumas roupas, já tinha algumas coisinhas para ele, e quando o perdi senti que não podia contar com ninguém, o pai dele deixou-nos e simplesmente éramos nós os três, senti todas as emoções de uma gravidez, de um filho e quando as perdi, talvez por culpa própria tive de guardar tudo para mim. Assim que separamos os nossos lábios, sorriu e ficamos segundos a olhar-nos, coloco a mão esquerda sobre a sua face e com a outra mão dou-lhe um murro muito bem dado na parte mais baixa dos homens, para ser mais precisa na parte que teve influência direta na criação deste filho. Ele deita-se no chão a queixar e eu respondo:

-Coitadinho que o menino é sensível! – Coloquei-me no chão ao pé dele e digo.-Não há um nós, há sim, eu, tu e o bebé. – Viro costas e vou embora, daquele sítio, daquele local, dele e de tudo o que possam imaginar, definitivamente não havia um “nós”, havia um, eu, ele e o bebé e quem sabe o bebé não iria ser só mais um susto na minha vida, afinal não era o primeiro e como perdi o Rodrigo, também tenho probabilidades de perder este também, por vezes penso que sou eu que não estou destinada a ser mãe, apesar de ser o meu sonho. Pego no carro e vou até minha casa, pelo caminho oiço o telemóvel e decido atender, não sem antes ver de quem era a chamada, se fosse o Ezequiel iria negar a chamada, mas que raio, detesto pessoas que me deixam sobre pressão e claro depois do golpe “baixo” que lhe dei pensei mesmo que deixei bem claro que não queria nada com ele, secalhar até queria mas não estava disposta a ter uma relação com um homem que mal conheço muito mais estando eu grávida de um filho dele, ele depois devia querer o casamento e nunca, nenhum homem me vai fazer mudar de ideias em relação a isto, o amor é uma coisa que a mim não me afeta. No caminho de regresso a casa recebo uma chamada, vejo que é da minha mãe e sinceramente não estava com disposição para ouvir histórias ou para ouvir raspanetes, desligo e de imediato ligo á minha prima Rita, ainda demora a atender e assim que atende fá-lo ofegantemente e de imediato provoco-a:

-Desculpem interromper o vosso desejo insaciável de sexo mas vinha avisar-vos que á vida para além disso e á um amigo do teu namoradito, o Ezequiel que está mal, está em casa a queixar-se das partes baixas por isso vão ver dele. Beijinhos adeus, muita produtividade!- Dito isto desligo o telemóvel, arrumo dentro da minha mala e volto para a condução mas desta vez decido talvez tomar uma atitude que não devia tomar mas olha, não é por tocar na barriga que me afeiçoou a este bebé e claro o pequeno também precisa de sentir alguma ligação da minha parte, porque vou fazer tudo para o Garay nem se aproximar da minha barriga, distância e depois do murro que lhe dei acredito nitidamente que ele vai querer mesmo distância de mim, para bem dos filhos que ele terá com qualquer outra mulher, porque meus chega um e mesmo assim acho que já é muito, mas compreendo que queira criar alguns laços com o filho, não digo que não o faça mas não será o típico pai. Como por esta hora a minha mãe estava em casa e não queria estar com ela, até porque me iria chatear e eu acabaria por lhe contar que estou grávida novamente e isso ia gerar discussão, e sei perfeitamente que não ia acabar bem, decido ir até casa da minha prima Rita, vestir um biquíni e uma roupa de verão e vou até á praia, como tinha as chaves nem iam dar que lá passei. Assim que lá chego, vejo o quarto da Rita fechado mas era no quarto dela que eu tinha a minha roupa, bato á porta e vejo que está vazio, o que estranhei visto que até havia uma meia branca na maçaneta, dispo-me, arrumo a roupa toda e visto o meu biquíni, o mais atrevido que tinha por lá por sua vez.














Já fora do quarto, deparo-me com o Nico apenas com uns boxers vestidos e a Rita aparece pouco depois com a camisa dele vestida, sorriu mas sem dizer nada vou-me embora, fui sem destino algum, ia até onde a minha mente me levasse. E não, não fui até á praia onde acabei com o Ezequiel, nem na praia onde estivemos juntos, levou-me até a uma praia de Cascais que ainda hoje desconheço o nome. Saiu do carro e sinto uma sensação que não era de todo estranha em mim, quer dizer era estranha na fase em que me encontrava (a gravidez), sinto que estava com a menstruação e vou até á casa de banho mais próxima e o mesmo se revelava verdade, o período tinha realmente aparecido, estava mês e meio atrasado mas apareceu, apesar do teste de gravidez ter dado positivo, havia algo que não batia certo, então mas perdi a criança? Será que foi outro susto? Não sabia o que fazer até que decido novamente voltar para ao pé do Garay, não era a melhor ideia depois do golpe que lhe dei mas se era falso alarme ele precisava de saber que (felizmente!) já não estávamos unidos para sempre como dizem nos contos de fadas.

Será que foi mesmo um falso alarme?
Como irá reagir ele a esta notícia? Como ficará a história deles depois disto?

Como não poderia deixar de ser quero desejar a todas as leitoras um excelente e feliz Natal junto dos que amam, cheio de amor e de todos os valores que esta época simboliza. Beijinhos minhas queridas leitoras :)

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Capítulo 15: "Vais ser pai, Ezequiel!"

Disse aquela frase muito rápido, talvez porque assim fosse mais fácil para mim dizê-lo e porque receava a sua reação, na verdade eu não tinha muita esperança que o bebé nascesse, nos primeiros 3 meses de gestação tudo podia acontecer e embora eu quisesse muito dar um irmão ao Rodri, não tinha esperança que fosse desta vez que isso fosse acontecer, secalhar não estou preparada para ser mãe e foi por isso que me apareceu estas “lombas” na minha vida, o pai do meu filho mais velho abandonou-nos e o pai do segundo tinha sido eu a abandoná-lo, não sei bem o que sinto por ele, não nego o que sinto mas não o amo loucamente para perdoar uma traição, para me entregar loucamente, para ter uma relação com ele sem confiar nele. Não estava disposta a mudar por ele. Imaginei todos os tipos de reação dele nos breves segundos que diferenciaram a minha frase da resposta dele, mas claro até aí ele me surpreende, ele diz-me:

-Não entendi. – Uma lágrima teimosa correu o meu rosto, lembrando-me do meu filho, apesar de já ter passado vários meses eu não me perdoava pela perda dele, ao início foi difícil digerir tudo, e quando já estava preparada para aceitar o nascimento dele, e de escolher um nome e de ver as primeiras ecografias, ele morreu, nunca chorei á frente de ninguém por ele, nunca mesmo, mas sempre que me deitava para ir dormir chorava, ia até junto do mar e chorava. E ele estava-me a pedir para repetir, para lhe dar a notícia e eu tive de o fazer:

-Vais ser pai Ezequiel. – Disse calmamente, já tinha digerido todas as emoções, será que ele assumiria o filho? Será que seria uma boa mãe e ele um bom pai? Para quê preocupar-me com isto tudo se o mais provável era mesmo sofrer outro aborto, ou então ele não assumir o bebé e eu educá-lo sozinho, mas claro como mulher que sou imaginei logo o futuro do meu filho ou filha, embora já me considere mãe porque já estive grávida. Sentei-me no chão, cruzei os braços e pousei a cabeça sobre eles. O Ezequiel chegou até perto de mim, baixou-se, colocou as mãos sobre os meus braços e respondeu:

-Estás grávida Qeu? – As lágrimas já me corriam o rosto, não tive coragem para levantar a cabeça por isso acenei simplesmente com a cabeça e entre soluços respondi:

-Sim. Sim, estou e só tu podes ser o pai. – Ele deu-me um beijo na cabeça, sentou-se ao meu lado e ficou na mesma posição que eu.

-Tens a certeza?- Abanei positivamente a cabeça, limpei as lágrimas que estavam no meu rosto e perguntei-lhe. – Posso sentar-me entre as tuas pernas? Preciso do teu apoio, preciso de um pai para o meu filho. O pequeno precisa de ti mais do que nunca. – Ele levantou-se e deu-me a mão e fez-me levantar também, agarrou-me na cintura e puxou-me contra o seu corpo e beijou-me a testa enquanto as mãos subiam até á minha face e as minhas mãos puxavam-no contra mim. Apenas fechei os olhos e separei os lábios, talvez procurasse algo mais que o beijo na testa, talvez procurasse os lábios dele, e sempre podia desculpar-me que foi um desejo do nosso bebé.




















-Não é só o bebé que precisa de mim, tu também precisas de mim nesta nova fase. – Não tive coragem para o beijar, mas tive coragem para o abraçar, não estava á espera que aceitasse tão bem esta “boa-nova”.














-Obrigada pelo teu apoio mas tenho medo de voltar a perder o bebé como perdi o Rodrigo. – Sussurrei-lhe ao ouvido, num tom bastante baixo, que até eu tive dificuldade em ouvir as palavras que tinha dito, não tinha pensado dizer-lhe mas depois de dito não havia volta a dar. Ele aperta-me mais naquele abraço sentido que partilhávamos e pergunta, o que tanto temo:

-Quem é o Rodrigo? – Sento-me e ele senta-se ao meu lado, encosta a cabeça no meu ombro e dá-me a mão, voltei a sentir um misto de emoções em mim, tinha medo de serem as hormonas da gravidez a falarem ou de ser simplesmente o meu coração a falar, tinha medo de qualquer uma das opções mas deixo fica-las assim, precisava dele e isso eu já tinha assumido.















-De certeza que não queres ouvir mais uma história de uma rapariga que perdeu um filho por sua própria culpa. – Disse suspirando, por um lado queria derramar as primeiras lágrimas junto a uma pessoa por causa do aborto espontâneo que fiz, talvez assim já estivesse mais “descansada” e calma em relação a esta nova gravidez.

-Eu quero ouvir por favor conta-me. – Olhou-me nos olhos e eu sorri, inspirei bem fundo e contei com toda a calma do mundo:

-Há dois anos, mais precisamente no dia em que fiz 16 anos descobri que estava grávida de quase 3 meses, caiu quase uma bomba sobre mim, não estava á espera de ser mãe apesar de ser o meu sonho desde que me lembro, era tão jovem e não estava preparada, não estava á espera, porque tive o período até então. Acabei por aceitar a gravidez já quase no 4º mês, noticiei a toda a minha família e amigos e o pai do bebé fugiu mas eu quis ficar com ele na mesma, fiz a ecografia e disseram-me que era um menino, chamei-lhe Rodrigo.  Afeiçoei-me a ele, talvez demasiado e depois ele acabou por morrer no meu ventre. Ainda hoje sofro pela sua morte, fiquei de rastos mas mesmo assim decidi não demonstrar as minhas lágrimas em frente a ninguém, sou forte e de certeza que o Rodri não ia gostar de me ver a chorar por ele, mas de certeza que queria que sorrisse porque fiz tudo por ele, apesar do pai nos ter abandonado.- Pela primeira vez na minha vida falei com toda a calma sobre o assunto. Ele beija-me pela primeira vez desde que acabei a nossa relação, um beijo pontuado pela calma, mas ao mesmo tempo cheio de emoção, deu-me a calma suficiente para lidar com a aceitação dele, para digerir tudo e para quem sabe derramar as primeiras lágrimas em frente de alguém pelo meu filho falecido e quem sabe esperar um futuro risonho com o que carrego no meu ventre. Precisava na mesma de saber se ele estava disposto a aceitar o bebé e a educá-lo, afinal era o pai dele e não nos abandonou até agora como fez o João, pelo menos esperava que não acontecesse.

Será que Qeu vai derramar as primeiras lágrimas em frente a Ezequiel por causa de Rodrigo?
Será que ele vai aceitar o bebé e assumi-lo? Que significa aquele beijo?

sábado, 15 de dezembro de 2012

Capítulo 14: "Eu não posso, eu estou á espera!"

Boa noite leitoras! :)
Tive algum receio em publicar este capítulo visto que as visualizações têm andado baixas comparativamente ás fics do mesmo blog: Por Ti & Quando Menos Esperares, mas como falei com algumas leitoras e elas pediram muito e é um capítulo decisivo decidi publicá-lo só agora, apesar de já estar escrito á algum tempo. Espero que gostem e deixem mensagens para sabermos as vossas opiniões! Beijinhos, Rita & Qeu

Fiz o teste de gravidez com toda a calma do mundo, não tinha esperança nenhuma de estar grávida, sentia algo que me dizia que não era desta vez que eu iria ser mãe, não era desta vez que daria um irmão ao Rodrigo. Podia perfeitamente estar grávida e sabia disso, porque fizemos sexo algumas vezes sem nos protegermos, ele devia pensar que eu tomava a pílula mas não gosto nada dessas coisas e quando o fiz pensei mesmo que não era por uma ou duas vezes que engravidava. Não era isso que me ia fazer mudar a vida, não era dois ou três orgasmos que me iam fazer mudar radicalmente a vida, me iam viver a maternidade pela primeira vez e depois da morte prematura do meu filho sentia que era quase impossível voltar a engravidar sem muito desejar ou pensar, afinal morreu um bebé no meu ventre, por minha culpa. Depois de o fazer, esperei alguns minutos calmamente, os enjoos e todos os sintomas que vivia pensei para mim mesma eram naturais, comi alguma coisa estragada, não estou bem, o período está para me aparecer, o meu corpo apanhou alguns vírus, inventava mil desculpas para não memorizar que estava grávida, e depois de fazer o teste apanhei um susto horrível. Enquanto esperava pelo resultado li as instruções e decorei a forma como dava negativo e nem sequer li como era o positivo, logo quando vi o resultado diferente do que esperava tive que ver nas instruções para ver se era mesmo o que queria negar. Li o papel algumas vezes, depois de ler o resultado algumas 4 ou 5 vezes, engoli em seco e fiquei durante vários minutos a tentar ter uma reação mas só olhava para o resultado, como era possível aquele homem dar-me cabo do dia mesmo mês e meio depois de nos vermos pela última vez?! E agora digo-lhe não lhe digo, fico com o bebé? Aborto ou não? As probabilidades do bebé nascer na minha cabeça eram poucas, muito poucas por isso não tinha com que me preocupar, o bebé não ia nascer, quando já estava memorizada e preparada para ter o meu Rodriguinho ele morreu por isso preferia não me preparar para ser mãe novamente e depois se algo lhe acontecesse eu já não sofria tanto, e como aguentei a morte do meu Rodri acho que se perdesse este também morria por dentro, desistia de vez de ser mãe, de me apaixonar, seria apenas eu eternamente. Por um lado eu gostava muito que o bebé nascesse, realizaria o meu sonho de ser mãe, de ter o meu filho, apesar de já me considerar mãe de um menino de 2 anos, queria ter um que nascesse, que tivesse vida, que eu desse tudo, de o ver crescer na minha barriga, o mais velho também cresceu e com 4 meses já tinha alguma barriga. Mas seguindo… Decidi reagir, levantei-me, agarrei nas chaves de casa e do carro, apesar de não ter carta eu aventurava-me a conduzir o carro da minha mãe e lá fui ter a casa do Ezequiel. Era perto da hora de almoço, logo ele deveria estar em casa, coloquei prego a fundo e lá fui, no caminho recebi chamadas da minha mãe, que recusei sempre e depois esperava chamada da Rita mas não, foi o Nicolás que me ligou e logo atendi, talvez ele me pudesse dizer onde estava o Ezequiel:

-Diz Nico. – Disse enquanto colocava o altifalante no telemóvel e o pousava no meu colo. – É melhor despachares-te porque estou a conduzir. – Não estava com paciência para joguinhos mentais, nunca tive mas eu queria ouvir os seus argumentos.

-Dei-te tempo para digerires tudo mas eu preciso mesmo de falar contigo sobre o que se passou com o Ezequiel. E depois preciso de saber se já fizeste o teste. Não vale a pena tentares dar a volta á história porque o pouco que te conheço já sei o que farás e o que esperar. – Não estava nada á espera desta atitude dele mas sabia que podia confiar nele e se não pudesse ele já sabia o que lhe esperava, uma grande tareia e um grande raspanete mais tarde.

-Eu gosto do Ezequiel não nego mas não gosto dele ao ponto de amar loucamente, não gosto dele ao ponto de perdoar tudo e as coisas para mim não estavam a resultar, ponto. E conheço bem a peça que ele é, conheço bem o estilo mulherengo dele, e não quero estar numa relação com um homem que não conheco e que não confio nele, lamento!- Era a mais pura das verdades.

-Mas podes estar á espera dum filho dele, pretendes esconder-lhe isso?- Ai Nicolás se não te calas eu obrigo-te a calar, estás a tocar nos pontos todos.

-Eu não posso, eu estou á espera de um filho dele! – Disse um pouco sem pensar no que dizia, disse-o e pronto e do outro lado oiço um silêncio assustador e dei-lhe tempo para responder. E assim que o fez, fez um pouco a medo:

-Tu… -gaguejava – Tu… -voltou a gaguejar e aquilo já me estava a dar a volta a cabeça.- Vais ter um filho?

-Sim, acho que ainda sei o que é que ando a fazer e com quem! – Comecei-me a rir – Só pode ser ele o pai, estou grávida tenho a certeza.


-Como é que sabes? – Disse a medo
-Fiz o teste de gravidez e deu-me positivo e descansa que vou dizer-lhe pessoalmente, escusas de lhe ir dizer a correr, mas por favor conta a minha prima não sei como lhe dizer e se ouvir da tua boca é diferente. Bem agora vou desligar que tenho um assunto a tratar. – Nem lhe dei tempo para responder e desligo a chamada. Estaciono em frente á garagem do Garay, assim ele não conseguia fugir para demasiado longe e porque era o lugar na rua disponível e como não tinha a carta ainda não sabia bem-fazer tudo direito, estacionei o carro á pressa e sai do carro, não toquei á campainha, ultrapassei o muro que cobria o seu jardim e fui direta a casa dele, quer dizer não era a casa dele, era a casa onde engravidei, ai que raiva porque é que não posso voltar atrás no tempo? Não estou arrependida de o ter feito, nem de o ter conhecido, nem de me ter deixado levar, estou sim com peso na consciência digamos, porque eu carrego um filho dele na minha barriga, mas porque raio não usei preservativo? Não preocupa, a criança não vai aguentar até ao final da gestação, vou sofrer outro aborto, o Rodri já não vai ser o meu primeiro e único filho, sinceramente acho que o problema não é deles é meu e do meu corpo, eu não tenho cuidado comigo como terei cuidado com um filho, que seria totalmente dependente de mim, como carregaria durante 9 meses um bebé se nem consigo passar 3 meses sem ir a uma festa divertir-me, apanhar uma valente bebedeira e divertir-me. Entro pela casa e vejo o Nico e a Rita na piscina, eles acabam por me dizer que o Garay estava lá dentro, peço a eles que se mantenham ali e não me seguissem, o Nico fez-me um olhar cúmplice e eu sigo para dentro de casa, ele estava na sala e eu sento-me ao seu lado no sofá, ele afasta-se para a outra ponta do sofá sem nunca mencionarmos uma palavra, eu mudo-me para o outro sofá e ele continuava sem me olhar e eu deito-me no sofá de barriga para cima. O silêncio era assustador e ele interrompe-o dizendo:

-Porque é que reapareceste agora depois de tanto tempo? – Perguntou olhando para a rua, na pequena janela que havia sobre a televisão da sala, não entendia qual era o medo dele de me olhar nos olhos e respondo olhando para ele e num tom de voz um pouco alto:

-Não voltei por “nossa” – Fiz aspas com as mãos, uma espécie de aspas imaginárias. – Causa. – Fiz uma pausa e respondi. – Voltei por outro assunto mais importante e tu precisas de saber.

-Não sei o que é não quero saber, só quero que te vás embora, tiveste o teu tempo e não o fizeste. – Foi até á janela mas antes de lá chegar vou a correr até á casa de banho, e a mais próxima era mesmo a casa de banho onde nos envolvemos e não aguentei, vomitei. Ele seguiu-me e ficou ao meu lado a ver-me vomitar e deu-me uma toalha para me limpar mal terminei. Depois vou beber um pouco de água e passo a minha cara por água, olho-me ao espelho e ele está atrás de mim. Limpo as minhas bochechas e olho-o através do espelho, não era face a face, olhos nos olhos, lábios nos lábios mas conseguia manter a decência, a calma e ao mesmo tempo observá-lo.

-Não sei como te dizer isto, eu não quis. Não quis. – Não resisti e deixar cair uma lágrima sobre o meu rosto e ele afastou-se, sentou-se junto ao jacuzzi onde aconteceu, onde poderíamos ter feito o nosso filho, ainda agora me parece estranho dizer isto. Deixei-me ficar onde estava, olhava-o através do espelho e vi que ele estava pálido, petrificado. – Eu... – Gaguejei. – Eu... – Gaguejei novamente, não tinha coragem para lho dizer, apesar de lho querer dizer não tinha pensado qual era a melhor maneira e era ele o pai do bebé, ele tinha que saber e foi agarrada nesse pensamento que termino a frase. - Estou grávida.- Disse apressadamente e baixando o olhar.

Qual será a reação de Ezequiel?
Como ficará a “história” deles depois deste teste? Como irá habituar-se Qeu a esta nova realidade?

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Capítulo 13: "O meu Passado e o meu Futuro"

Como é que és capaz? Confiei em ti, admiti que estava apaixonada por ti e tu simplesmente enquanto durmo vais ter com outra rapariga qualquer que provavelmente vais querer o teu dinheiro ou terem uma boa noite de prazer e adeus ou vai-te embora 21, pensei para mim mesma. Depois de me endireitar, levantei-me abri a porta do carro e ia direitinha a eles, a rapariga estava de frente para mim e o Ezequiel estava de costas para mim e assim que espreita por cima do ombro depara-se comigo, volta-se e estica os braços querendo dar-me um abraço ou espetar-me um beijo, mas assim que me aproximo dele dou-lhe uma valente chapada na cara e digo:

-É assim que queres que confie em ti? Põe a confiança num sítio que eu cá sei!- empurrei-o para cima dela mas ela empurrou-o para cima de mim mas eu recuou uns passos para ele não me tocar. – E não me venhas com justificações parvas e sem sentido! Está tudo acabado Ezequiel! Esquece que eu existo! – Dito isto começo a andar o mais rápido dali para fora. Eu gostava dele e a prova é que tinha assumido o que sentia mas não era meu estar numa relação onde não confiasse numa pessoa e que sentia uns ciúmes doentios, que me tirava a personalidade, não estava disposta a aturar aquilo, não estava disposta a abdicar de tudo por ele, não o amava loucamente a esse ponto e sinceramente não me agradava estar numa relação principalmente com um homem daqueles, não era pela profissão dele nem pela pessoa que era, era porque não o conhecia bem. Não sei havia qualquer coisa nele que não me deixava estar na relação 100% segura, talvez porque sinto que sou mais uma conquista para ele e não uma relação e preferia sofrer no início da relação porque ainda estava ciente de tudo do que dar mais tempo á relação e depois sair profundamente magoada porque criei esperanças e ilusões apesar de nunca ser como a maior parte das mulheres para mim não fazia sentido casar porque tudo é efémero e não valia a pena casar-me para depois de me divorciar, e para mim o casamento sempre foi um papel que se assinava e que não mudava nada nas nossas vidas, não tinha valor absolutamente nenhum. E não, não me imaginava a apaixonar-me perdidamente e aparecer um “príncipe encantado” para me salvar dos maus, não eu queria seguir o meu sonho a todo o custo independentemente de amar loucamente alguém porque amar loucamente e sem fins acredito que só mesmo os nossos filhos, já apanhei um susto terrível com a história das gravidezes e dos filhos. Apanhei um susto terrível, no dia em que fiz 16 anos a minha prima deu-me por brincadeira uma caixa de preservativos e um teste de gravidez, por brincadeira e eu acabei por fazer o teste e mais tarde dar uso á caixinha que ela me deu. Depois de fazer o teste deu positivo e não estava de pouco tempo, estava de 8 semanas, o que significava que estava grávida de quase 3 meses, tive o período enquanto estava grávida, parecia que o mundo tinha caído sobre mim, eu não esperava nada ser mãe ainda por cima com tão tenra idade mas ia aceitar a criança, quis que a gravidez desenvolvesse mais até dizer ao resto da família, eu não estava preparada para ser mãe e demorei algum tempo a aceitar esta gravidez e tudo isto, era muita mudança, iria deixar a escola e trabalhar, ia deixar de viver as minhas aventuras e dedicar-me ao bebé, ia mudar e mudanças nunca foi a palavra de ordem que eu preferisse na minha vida. Depois de noticiar a boa-nova á minha família, aos meus amigos e ao pai do bebé e deste me abandonar sem deixar rasto, que pensei melhor para mim porque assim educo o bebé sozinha sem ter um homem atrás de mim, sem ter um homem a educa-lo o que significava que estava entregue a mim e apenas a mim, o que me agradava. O bebé acaba por morrer no meu ventre já com quase 4 meses de gestação, o que me tirou qualquer força o que me fez chorar e morrer um pouco por dentro, me tirou as poucas esperanças que tinha no amor, eu já estava tão afeiçoado ao meu filho, era um menino e ia-se chamar Rodrigo, já estava tão ligada a ele, tão intimamente ligada, já tinha desejos, já falava com ele, já o sentia, já chorava, já não enjoava e acima de tudo já tinha tido as primeiras ecografias e imaginei tudo, já sabia exatamente o dia em que era suposto nascer, era o meu filho, era o amor da minha vida e eu faria tudo por ele.
Foi embrulhada nestes pensamentos que deixei o Ezequiel e comecei a andar para bem longe dali, chorei, não consegui evitar deitar aquelas lágrimas que me escapavam sempre dos olhos quando pensava neste assunto, era dos poucos, senão único assunto que eu não conseguia falar ou pensar, não conseguia fazer nada sem ser chorar, acho que o meu limite é quando não tiver mais lágrimas para deitar. E foi assim que o Ezequiel me apanhou já estava a uma distância considerável da praia, limpou as minhas lágrimas abraçou-me e eu não resisti, precisava do seu abraço acima de tudo mais, precisava de um amigo e o seu abraço apoiava-me de uma forma louca e incondicional. Depois de ficarmos assim durante algum tempo ele sussurra-me:

-Eu perdoou-te pelo que me fizeste eu perdoou-te e apoio-te, porque te adoro do jeito que és, dos estalos que me dás, de seres difícil e dos ciúmes doentios. Eu adoro-te pelos teus medos e pela tua insegurança e de uma vez por todas enfia nessa tua cabecinha que eu só te quero é a ti. A rapariga que viste é dona do bar eu estava a pedir-lhe para irmos á casa de banho e tomarmos lá o pequeno-almoço. – Mal acaba de dizer isto eu levanto-me e vou-me embora mas não sei antes dizer:

-Não volto com a minha palavra atrás. E as lágrimas que derramei não foram por ti, foram pelo meu passado, que já está morto e enterrado assim como o teu “amor”. – Fiz aspas imaginárias com os dedos. – Na minha vida. – Assim que digo isto começo a correr para longe dali sem rumo certo, apenas uma coisa saiba ia dar a algum lado.

Passado 6 semanas

Há 5 semanas que ando com uns enjoos matinais muito estranhos, os pequenos-almoços da minha tia quando durmo em casa dela e da minha prima Rita já não me parecem tão agradáveis como antes, ando sempre mal disposta, e quando digo sempre é sempre, parece que vivo na casa de banho, sinto-me desconfortável com o seu corpo e o meu período desapareceu há 5 semanas, o que é de estranhar porque nunca me aconteceu isto tudo junto mas fiz tudo para esconder isto dos que me rodeavam mas nas últimas duas semanas foi totalmente impossível porque a minha casa era tecnicamente na casa de banho e acho que a última vez que me senti assim foi durante as últimas duas semanas de gestação do Afonso, porque nos primeiros tempos estava normalmente até o período me apareceu normalmente. Estes sintomas todos andavam-me a deixar com a pulga atrás da orelha e por insistência dos meus tios, da minha prima e do Nicolás (sim!), sim do namorado da minha prima acabei por fazer o teste, se eu engravidasse só uma pessoa podia ser o pai, só ele… Podia ser o pai e depois do filho da nossa relação, nunca mais nos voltamos a ver ou falar e mesmo se eu não lhe dissesse que ia ser pai sabia que a minha prima e namorado lhe diriam e eu não queria de todo engravidar novamente e muito menos dele mas faria tudo para ele ser um pai ausente ou então para nem sequer ser pai, preferia apenas que o fizesse e depois desaparecesse. E também podia perfeitamente perder a criança nos primeiros 3 meses de gestação, como aconteceu com o Rodri (como lhe chamava carinhosamente), o meu filhote esse seria sempre o meu primeiro filho. E por um lado o teste também podia dar negativo e eu queria que fosse esse o resultado mas por outro lado queria muito viver a experiência da maternidade, apesar de a partilhar com um homem que não conheço bem e na verdade depois do nosso muito curto namoro e de ter já passado mês e meio depois do nosso fim e de não termos dito mais nada, eu sabia no fundo que continuava a gostar dele. Um dia bem cedinho, levanto-me visto-me:

Como já se começava a sentir algum frio de Outono optei por um vestido de manga comprido e ia com umas collants transparentes. 

E calcei:
Na verdade ia vestida para arrasar na rua, gostava de dar nas vistas e ser rebelde, eu ia sair á noite mais tarde, ia divertir-me, eu sei que para quem desconfia que está grávida, esta roupa e este calçado não são os ideias mas eu não queria saber e acima de tudo eu não queria estar grávida. Ainda oiço algumas assobiadelas mas sinceramente não queria saber, eu ia comprar o teste e fazê-lo-ia em casa. Cheguei a casa novamente, tranquei tudo, sabia que a probabilidade de aparecer alguém era nula mas eu precisava de me sentir “protegida” para saber o resultado deste teste, ninguém mesmo sabê-lo ia que o faria, ninguém desconfiava. Acabei por fazer o teste com fé e coragem no destino e tive a resposta...

Qual será a resposta ao teste de gravidez da Qeu?
Como será que irá reagir? O que lhe espera o futuro?