quinta-feira, 13 de junho de 2013

Capítulo 26 “João ou Ezequiel? Cabeça ou coração?”

Eu queria dizer-lhe exatamente o que sentia, mas eu não sabia bem o que sentia, mas sabia exatamente o que pensar, sempre me disseram para pensar com o coração e não com a cabeça, mas eu aprendi que devia pensar com esta, para evitar sofrer. Queria apenas o melhor para o Ezequiel, queria que ele fosse feliz, ele merecia isso por tudo aquilo que era e por tudo o que vivi ao lado dele, eu gostava que ele encontrasse alguém que o amasse e que o fizesse feliz, alguém que o merecesse, eu gostava e desejava que ele encontrasse alguém como eu encontrei o João, que me faça feliz. E eu sabia que eu nunca era pessoa para o Ezequiel, como não era para o João, mas se ele lutara por mim e gostávamos um do outro porque não tentar?
Respirei fundo e comecei a chamada… Um toque, dois toques, três, quatro e cinco. A cada um eu sentia-me a ficar mais nervosa, parecia que me faltavam as palavras, o que achei uma parvoíce. Nós eramos amigos porque razão haveria de ficar assim? Eu não o queria magoar, queria o melhor para ele, que ele fosse feliz com os que ama e comigo ele nunca seria feliz. Não sou previsível, muitas vezes tomo atitudes que nem eu as entendo e o Ezequiel merecia alguém mais maturo e eu sentia que não a tinha, ele merecia alguém melhor. Além do mais eu estou apaixonada pelo João, e queria dizê-lo mas ao mesmo tempo não, queria que o Ezequiel soubesse que o melhor para ele era esquecer-me mas não o queria magoar. Mas como faria isto? Perdida assim nem entendi que já tinha chegado ao correio de voz, por isso decidi respirar fundo e deixar a minha mensagem:
“-Ezequiel… - Respirei fundo. – Não sei como te dizer isto mas aqui vai. – Fechei os olhos e imaginei que estava a conversar diretamente com ele, mas sem o olhar diretamente naqueles olhos e naquela barba extremamente atraentes e que me iam tirar toda a vontade de falar com ele. Concentra-te Raquel! – Ontem não tive a atitude correta, devia ter-te respondido como merecias, mas não o fiz. Foi uma atitude infantil da minha parte. – Abri os olhos. – Desculpa, tu não merecias. Mas eu também não te mereço, tu mereces alguém previsível, alguém que te dê tudo o que tens direito e eu nunca te darei, tu és demasiado para mim. Sei que não devia estar a deixar este recado idiota no teu correio de voz que provavelmente nem ouvirás mas pelo menos tentei. Vou dar-te um conselho de amiga, esquece-me e procura alguém que realmente te mereça e que te faça feliz, como eu nunca faria. Mas não é conversa para se ter ao telemóvel, quando puderes liga-me ou assim para combinarmos qualquer coisa e falarmos os dois. Beijinhos. – Desliguei e a chamada de voz foi enviada.

É estranho tudo aquilo que me está a acontecer, eu não merecia que o João e o Ezequiel lutassem por mim, era estranho tudo o que vivia na pele. Vivi uma história com o Ezequiel, não posso negar, e foi uma história intensa mas deu uma volta enorme. Começamos por nos conhecer e envolver, depois começamos a namorar e acabamos, dei-lhe um “golpe baixo” e acabei por “descobrir a gravidez”, isto tudo em alguns meses… Parece que saltamos muitas etapas em pouco tempo. Depois odiamo-nos e ele aceitou a custo o nosso filho, depois descobrimos que não havia bebé e eu comecei a namorar com o João (até a falar do Ezequiel o meu namorado não me sai da cabeça!) e eu e o Ezequiel tornamo-nos amigos, mas ele decidiu ligar-me e confessar que me ama… Eu nunca tinha ouvido da boca de nenhum homem que me amava, nem da boca do pai do Rodrigo, a primeira pessoa de quem o ouvi foi do Ezequiel e isso marcou-me.
Acabei por passear pelo centro comercial e passear, aproveitei para ver algumas coisas que as lojas tinham, consegui distrair-me, ou melhor não pensar neles durante um bocadinho mas sempre que me lembrava agarrava no telemóvel. Tanto para ver se o Ezequiel já tinha dado sinais de vida ou se o João já estava despachado. A minha vontade era pegar num táxi e ir ter com o Ezequiel, saber o que ele achava, pedir-lhe desculpa, fazer qualquer coisa que o fizesse sentir melhor, podia até ter uma atitude que depois me fizesse arrepender mais tarde, fosse uma atitude má mas era uma atitude, mais ou menos rebelde, mais ou menos parva. Ou então, para ver se o João, já me tinha ligado para falarmos, para estarmos juntos e eu lhe dar os parabéns. Para o animar, não lhe iria dizer o que atravessava, nem o que ia no meu pensamento, não lhe iria contar nada do Ezequiel. Ficaria apenas comigo este pequeno segredo até ele ficar bem, não queria arranjar problemas, até porque ele os tinha bem melhores.  E não ia faltar no dia de hoje, ele precisava de mim e eu não iria falhar, como falhei com o Ezequiel.

Acabei por ir ao twitter e lembrei-me do que o Ezequiel tinha publicado na noite anterior, e acabei por publicar também, em forma de indireta, ao que se passava na nossa vida.

"Quando não sabes o que pensar ou o que sentir, aposta no que sabes.. Ou no que não sabes!"
Não sabia se o Ezequiel entendia que aquela mensagem era para ele, mas difícil era não entender. Eu sabia que o João não seguia o meu twitter, e gostava que assim fosse, tinha alguma liberdade, sem ter de me justificar a ninguém. Aliás todas as pessoas relacionadas com aquela rede social, nenhuma delas eu conhecia pessoalmente, ou melhor fazia parte da minha vida. Exceto o Ezequiel. Ele entretanto também tinha publicado um tweet, quem diria que num curto espaço de tempo tínhamos publicado dois pensamentos semelhantes na mesma rede social.

"É cómico como o amor consegue ser caricato... A cabeça está numa pessoa e o coração noutra. E agora?!"
Será que ele se estava a referir a mim?! É verdade que eu não sei o que pensar, nem o que sentir. Eu gosto do João, eu namoro com ele, sinto-me bem ao lado dele. Sou feliz ao lado dele. Não quero abdicar dele na minha vida, não quero que ele deixe de ser meu namorado, estou bem ao lado dele. Além do mais eu já conhecia o João antes de conhecer o Ezequiel, já tínhamos uma pequenina história, é nossa e ainda podemos escrever muito mais. Eu já imaginei o nosso futuro, casados e com filhos. Duas crianças, um menino e uma menina, cada um com o nome do falecido avô. Eu imaginei e senti coisas com o João que nunca tinha sentido. Mas o Ezequiel... É ele mesmo. Temos uma história caricata e conheci-o numa altura em que não havia o mínimo de planos para o conhecer, a mística da gravidez, a gravidade da situação em que o pus, o nosso (amor) que se transformou em ódio, que se transformou em amizade. Não posso ter o coração baralhado, já não sou uma adolescente típica de 14/15 anos confusa quanto ao que sente e a dois rapazes. Não, eu tenho 18 anos, normalmente é o fim da adolescência e o inicio da idade adulta, devia ser a altura das certezas e das decisões. Como poderia gostar de alguém, de namorar com essa pessoa e mesmo assim não saber o que sentir em relação a outra? Os sentimentos deviam ser claros, devíamos saber exatamente o que sentir, o nosso coração devia dizê-lo de forma clara e simples, e se nos deixasse alguma dúvida, devíamos consultar a nossa cabeça, ela devia ser a mais simples, a solucionadora dos nossos problemas. Mas até aqui tenho azar, porque o meu coração não é claro, este diz-me que tenho duas histórias.. Com os dois, completamente diferentes. E dizia-me que eu gostava dos dois, mas é possível gostar de dois rapazes ao mesmo tempo? A minha cabeça dizia que eu era feliz ao lado do João, que deveria esquecer o Ezequiel, porque é com o João que estou bem e feliz. Distraída com os pensamentos mais complicados que há memória na história da minha cabeça e coração quase não ouvia o toque do telemóvel. Esperava que fosse o  Ezequiel a combinar o nosso café, mas assim que olhei para o ecrã senti alguma desilusão... Era o João. Eu não devia sentir isto, eu devia estar feliz só de pensar nele. Depois de respirar fundo, acabei por clicar no botão verde e atender a chamada.

-Olá príncipe! – Disse eu, fingindo-me de entusiasmada. Eu queria estar com ele e animá-lo, queria tê-lo ao meu lado mas tinha medo que ele entende-se que algo não estava bem. – Então onde estás?

-Estás estranha Qeu e não me mintas porque sei que algo não está bem, eu conheço-te. Estou a pegar no carro e vou ter contigo á porta principal do Colombo daqui a 5 minuto sim? – Disse o João. Bolas! Ele entendeu que algo se passava até depois de eu tentar que ele não percebesse que algo não estava bem.

-Sim...  Realmente algo não está bem. – Disse calmamente. – Estou preocupada contigo. E só fico bem depois de saber que estás minimamente bem. – Eu conhecia-o e ele a mim por isso percebi que sorria.

-Nós os dois somos um só. – Disse e eu senti o meu coração bater ferozmente, ainda ficava com um nervoso miudinho sempre que sabia que ia estar com ele. – Vá agora vou desligar para fazer-me a caminho. Beijinhos gosto muito, muito de ti. – Não gostava de responder eu também, mas não me sentia á vontade de responder que também gostava muito dele, não depois de tantas dúvidas nesta cabeça e coração por isso optei por algo que não era vulgar em mim.

-Beijinhos. Eu também! – E desliguei a chamada sem lhe dar tempo de muita resposta. Eu faria tudo para ele não entender que algo estava diferente em mim, mas sei que ele iria desconfiar, porque existe palavras que inevitavelmente ele ira compreender que não eram comuns em mim e que as diria. Mas faria tudo para ele não entender que algo estava diferente em mim, porque ele não se sente bem e precisa do meu apoio e tudo o que me envolvia estaria em segundo plano. Eu gostava dele e muito, mas porque é que o Ezequiel me estava a afetar tanto?!

Acabei por sair do sítio onde estava e ir até junto da porta principal daquele centro comercial e pouco esperei até que apareceu o João e eu fiquei feliz, sorri e cumprimentei-o com um beijo sentido, mas nem enquanto o beijava me conseguia esquecer do telefonema do Ezequiel e do recado que lhe deixara no telemóvel. Será que ele responderia?! Será que tinha visto e não queria responder?! Qeu concentra-te, estás com o João, o teu namorado!!

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Estive um bom bocado com o João e consegui animá-lo, ele estava mesmo triste, muito desanimado, nunca o tinha visto assim e isso doía-me no coração. Saber que não podia fazer nada por ele, magoava-me que a vida não fosse justa, nem um pouco, ele não merecia que a vida fosse tão injusta mas não podia fazer nada. Mas nunca deixaria de o ter ao meu lado e de eu o ter ao meu lado. Porque mais do que namorados somos melhores amigos. E isso não há nada que mude.

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Mas os momentos de mais ternura, amizade, carinho e ternura, as minhas tentativas de o animar, tornaram-se em momentos mais românticos, em momentos mais de cumplicidade, pode parecer errado mas como parava algo que me parecia tão certo na altura?

Estávamos sentados no sofá, a trocar beijos mais intensos, mais românticos e sentimentais, talvez estivéssemos assim num momento mais carente e isso estivesse a fazer com que o momento não fosse conduzido pelo sentimento correto. O sentimento de perda que ele nutria, o negativismo e a morte que ele sentia no coração e a minha cabeça confusa em relação a dois rapazes deram origem a que a mão dele fosse para dentro da minha camisola, e senti um arrepio atravessar a minha espinha. Mas deixei-me levar pelo momento, eu gostava muito do João, mas ainda não poderia dizer que o amava e sabia que o iria fazer me ajudava a clarificar o que sentia. Nenhum dos rapazes merecia que eu lhes estivesse a fazer isto, mas eu também não o queria, de forma alguma, mas a culpa disto tudo era da minha cabeça e coração.

As mãos do João começaram a explorar o meu corpo foram seguindo a direção da minha cara, até que chegaram próximas das minhas mangas, sem nunca os seus lábios saírem dos meus, até que no momento em que ia despir a minha camisola, separou os nossos lábios e me olhou olhos nos olhos, como pedindo autorização para continuar. Eu sorri e fiz sinal com a cabeça para que continuasse, ele despiu a camisola e de seguida tirei-lhe eu a camisola e pude olhar para o seu corpo nu, não pude deixar de me sentir bem. Ele era tão belo e ao mesmo tempo tão meu, o meu corpo não era perfeito, estava construído de uma forma particular e eu sentia-me confiante, mas como comparar o corpo dele com o meu? Deitei-me de barriga para cima no sofá e ele colocou-se em cima de mim. Já o tínhamos feito mas tenho de confessar que não por muitas vezes, ele só o tinha feito com uma rapariga antes de mim e eu tinha-o feito mas nunca com um sentimento tão grande e forte a bater no meu coração. E isso era estranho, será que mudava alguma coisa em relação ao momento em si? Nunca entendi a diferença que faziam entre sexo e amor... Será que existia? E será que eu iria entender se haveria realmente ou não?

Comecei a beijar o seu peito em direção ás suas calças, sempre com beijos românticos e calmos, e ele mordia o lábio para não soltar gemidos de felicidade ou de prazer. Cheguei perto do botão das calças e sorri, olhei para ele nos olhos e tirei o botão das calças com os dedos. Depois voltei para os seus lábios e comecei a beijá-lo e as suas mãos foram de encontro ás minhas nádegas, segurando-me com força, o que me fazia sentir, realmente desejada. Depois foi a sua vez de chegar próximo dos meus curtos calções e sem dar conta os despir. Depois colocou a mão no bolso e abriu a carteira a uma velocidade que nunca tinha visto, porque seria? Tirou um preservativo e deu-mo. Ele era responsável, não estava nos nossos planos sermos pais mas nem me tinha lembrado do mesmo, ainda bem que ele o fez. Despi-lhe as calças e rapidamente acelaramos as coisas, ele despiu-me a roupa interior e pouco depois despi-lhe eu a dele e coloquei o preservativo. A partir daquele momento já podíamos fazer o que quer que fosse que já não haveria arrependimentos no futuro. A probabilidade que eu tinha de engravidar seria nula e eu não queria correr o risco de (voltar) a engravidar. Ele deitou-se sobre mim e respirei fundo antes de ele me beijar e começarmos o momento em si... Que foi intenso, repetido até á exaustão e bom. Talvez como eu nunca me tinha sentido ao lado de ninguém, será que era porque estava apaixonada por ele? O sentimento era diferente, e as emoções que me causaram não tinham comparação possível, talvez descrever o momento não seja o indicado. Porque nem eu sei fazê-lo, senti-me bem a fazê-lo assumo, podíamos não tê-lo feito no momento certo nem com os motivos certos mas havia forma de não me sentir bem a fazer amor? Gostava do João e ajudou-me a esclarecer algumas dúvidas mas tinha medo dele se arrepender, de não ter sido o que ele estava á espera... Foi bom, muito bom, excelente, mas será que era uma reviravolta na nossa relação? Adormecemos depois de gastarmos todas as energias, ele deitado e eu deitada sobre ele, o seu peitoral servia de almofada enquanto o meu corpo despido estava ao lado dele.

Adormecemos mas foi durante pouco tempo, porque acordei pouco depois com um pressentimento horrível, talvez um sonho ou algo diferente. Abri os olhos, sentei-me no sofá deixando o corpo do João e disse:

-Ezequiel. – Será que era um pesadelo? Eu não me lembrava, de todo, por muito que me esforçasse não tinha justificação possível.

Tinha de acabar com aquelas dúvidas e receios, tinha de falar com ele, mas... Agora? Tinha acabado de fazer amor com o João e ele dormia profundamente, não o queria acordar por isso decidi levantar-me e procurar a minha roupa que estava espalhada pelo chão. Vesti-me e fui até á minha mala e peguei num caderno e numa caneta e escrevi:

“Aconteceu uma emergência e tive de me ir embora, não te quis acordar por isso deixei-te dormir descansado e escrevi este recado. Depois falamos sobre... Tudo. Tudo o que aconteceu.
Beijinhos adoro-te meu João”

Rasguei a folha do caderno e deixei-a sobre a mesa daquela sala e fui-me embora daquela casa, não estava arrependida do que tinha feito, eu gostava e muito do meu namorado, mas tinha de ir falar com o Ezequiel. Esclarecer as coisas e falar com ele mas o que lhe dizer? Quando estiver com ele, logo pensarei, sei que deixarei o meu coração falar, mas ele também não sabe. Neste momento o que sei é que preciso de estar com ele e falar.

Fechei a porta de casa com o mínimo de barulho possível. Chamei um táxi e fui até casa do Ezequiel, tinha de falar com ele, não amanhã, não quando ele pudesse mas sim agora. Paguei ao taxista e corri a curta distância entre a estrada e casa dele e toquei freneticamente á campainha, ele precisava de me ouvir, eu precisava de o ouvir e de estar com ele. Não sei porquê, não tenho justificação possível, mas queria e precisava.
Como correrá a conversa?
Será que Qeu optará por João ou Ezequiel? Como reagiram os dois?

domingo, 12 de maio de 2013

Capítulo 25 “És melhor que café pela manhã!”

-Eu não queria fazê-lo assim… Mas tu não me deixaste outra alternativa. – Disse naquele português espanholado. – Na verdade eu menti-te. – Se havia coisa que eu detestava era a mentira e não tolerava que por algum motivo o fizessem. Não sabia o motivo e o que levara a tal mas não era forte o suficiente. – Eu nunca deixei de gostar de ti. Na verdade eu não estou contente com a minha posição de teu amigo. Eu quero… Algo mais. Gosto de ti. Eu sei que neste momento namoras com o João, mas depois da história do bebé não acredito que não sintas nada por mim. É impossível, tu gostas de mim, eu sinto, eu sei. E juntos, sei que podemos ser felizes. Deixa o João, por mim. – Fiquei sem reação possível. Não esperava aquelas palavras, não de todo. Estava tão feliz com o João e gostava dele, mas criei uma certa ligação com o Ezequiel. Afinal nós (pensamos) esperar um filho. Nós tínhamos falado sobre o que queríamos em comum e falamos em amizade, eramos amigos e nada mais me tinha passado pela cabeça.
Desliguei a chamada e o telemóvel. Podia não ser meu, mas eu nem pensei nisso. Voltei para o quarto onde estava a dormir ao lado da minha prima e comecei a olhar para o teto, o sono não aparecia e a minha cabeça estava longe de todo e qualquer pensamento. Por isso liguei o computador que a Rita tinha no quarto dela e era escusado pensar que ela acordaria, não acordava por nada. Como não sabia o que pensar ou fazer, acabei por pesquisar fotografias do João e do Ezequiel.



O João é o meu namorado, prova todos os dias que gosta de mim e me quer presente na vida dele. Um passo de cada vez era o nosso lema, e tínhamos tanto em comum, passamos por muitas experiências juntos. E eu sentia-me feliz ao lado dele, imaginava o nosso futuro juntos, em casarmo-nos e sermos felizes juntos, termos os nossos filhos e realizarmos os nossos sonhos. O João tinha apenas 18 anos (prestes a fazer 19) mas parecia tão “menino” mas ao mesmo tempo tão homem, era diferente do Ezequiel, parecia ter tanta estabilidade mas por um lado tudo pode acabar, afinal não deixava de ter a tenra idade que eu também (quase) tinha. Mas pela primeira vez, eu sentia que era o homem que precisava na minha vida. Tinha segurança e estabilidade, como nunca a tive. E sentia-me numa calma super natural e feliz, como não esperava.



O Ezequiel é em parte, o meu passado mas ao mesmo tempo é o meu presente. É meu ex-namorado, mas está na minha vida e do meu namorado. Lutou por mim quando eu já tinha desistido dele, e assumiu que gostava de mim quando eu lhe dizia exatamente o contrário, e agora que tenho namorado, ele volta a assumi-lo. Fui feliz ao lado dele, mas neste momento sou mais ao lado do João, mais do que fui quando namorava com o Ezequiel, apesar de termos estado juntos tão pouco tempo. Vivemos experiências diferentes, eu fiz-lhe mal mas ele continua a gostar de mim, no fundo talvez seja eu com medo de não sei. Ele já era um homem, tinha 26 anos, já tinha vivido milhões de experiências que nem me passavam pela cabeça, já tinha uma estabilidade de um homem adulto e eu não a tinha, mas queria senti-la, mas por um lado o João fazia-me mais feliz do que me senti com o Ezequiel.
Perdida em pensamentos, mas com a cabeça dividida fui até ao meu facebook, e depois de andar as ver as novidades, fui até ao perfil do meu namorado e li com muita atenção o texto que ele tinha partilhado:

“Existem sentimentos que demoras uma vida para conseguir traduzi-los, por vezes podem ser dores, que não cabem no nosso peito, dores que pensamos que nunca mais voltaremos a ser os mesmos, que não conseguimos mais ser felizes. Pensava que não conseguia mais viver sem a minha mamã, que ela era o meu tudo, mas fui forte e estou vivo e luto por ti. Tu olhas por mim e pelo maninho no céu. E rezas por mim e por quem me faz (dentro dos limites) ser feliz, é ela que me compõe aos poucos, que me faz sorrir, que me faz sentir bem. E posso dizer orgulhosamente que te adoro, minha Qeu <3 “
Mas… Mas… O Ezequiel e o João tiraram o dia para me surpreender? A atitude romântica, a declaração de amor do meu namorado, deixou-me nas nuvens. O sentimento que nutrimos um pelo outro é forte, e não é apenas o impacto do início da relação em que tudo é rosas. Aliás a nossa relação começou com espinhos, difíceis de ultrapassar, que nos podiam fazer desistir de tudo, mas não. Lutamos e Deus esteve a nosso favor, e hoje depois de espinhos estamos nas pétalas das rosas. E hoje, sinto-me bem. E talvez isso, tenha provocado esta dificuldade na vida, custava-me assumir mas talvez não estivéssemos destinados a estar juntos. Mas eu lutarei contra a exaustão, contra tudo para ficarmos juntos. Como é que fiquei tão presa á declaração do Ezequiel.
Respondi á declaração do João, sobre a sua mensagem com o seguinte:

“ Nem tenho resposta possível… Tu surpreendeste-me e qualquer texto que escreva não tem comparação, nem forma bonita ou á altura do que tu… Sentes e escreves. Não tenho muito talento para a escrita mas aqui vai: Sabes aquele sentimento tão forte que te faz lutar mesmo contra os teus próprios sentimentos? Que te faz adorar e acreditar em algo que nunca pensaste acreditar? E tudo o que sonhei, tudo o que pensei para um amor tu tens-te demonstrado assim! E eu tenho mais orgulho em ti, que tenho em mim, adoro-te João <3”
Não tínhamos assumido a relação publicamente, mas com aquelas declarações haveria algo melhor? Eu queria que toda a gente soubesse o que sentia por ele, que estávamos juntos, mas não queria ter fama por isso. Queria cantar, dançar, libertar em forma de dança todas as minhas energias e se algum dia lutasse por este sonho, viria “as minhas pernas cortadas” porque seria sempre a “eterna namorada” de alguém. Mas eu sentia que podia pensar num futuro com ele. Afinal quem, quando está numa relação, não pensa?
Decidi ir até ao meu twiter, onde por acaso também segui o do Ezequiel. E escreveu em espanhol, o seguinte tweet, mas eu consegui traduzir para português:

“Às vezes uma amizade não nos completa, por vezes é preciso um amor para nos fazer felizes. R”   

Aquele tweeter era direto para mim. Ele não me tinha dito esta frase, nem tinha escrito o meu nome, mas era direto para mim. Falava em amizade e amor, e eram essas palavras que tinha utilizado quando falara comigo.
Eu…Cada vez estava mais certa que começava a amar o João, afinal era o meu namorado. Já tinha pensado no nosso futuro juntos, já o tinha idealizado, o que nunca acontecera com um namorado meu. Só com o Ezequiel. E isso foi depois do fim da nossa relação, tínhamos um filho em comum para criar, teria de pensar, afinal ele queria ser um pai para o meu filho. Nem mesmo se eu não o quisesse na minha vida, e não tinha o direito de lhe tirar o papel de pai. E era tão difícil ser mãe solteira, e pelo que conhecia dele parecia ser o pai ideal par o meu filho. Podia dar-lhe tudo o que eu não podia e essa ideia agradava-me.
Eu gostava do João, sentia-me bem próxima dele, queria estar com ele, haveria mais alguma dúvida a ter em relação ao meu namoro e ao meu ex-namorado? Não, a decisão era demasiado óbvia. Estava ao lado do João, em qualquer altura e amanhã sem dúvida, falaria com ele sobre o que se passou hoje. Queria dizer-lhe o que o Ezequiel me confessou, mas tenho medo que ele faça algo que se arrependa, mas eu confio nele e com a sua personalidade e feitio duvido que faça algo de mal. E como conseguiria esconder algo tão forte dele? Como conseguia viver a esconder algo tão forte, tão, posso confessar gigante? Com tantos pensamentos e já esgotada por tantos pensamentos e emoções, acabei por me deitar e adormecer pouco depois. Mas não sem antes ligar o telemóvel.
Cobri o meu corpo com as mantas e sonhei, sinceramente não me recordo com o que foi. Acordei de manhã com o som do telemóvel, o meu sono era leve e foi abalroada por tal. Peguei sem abrir os olhos nele e atendi.

-Sim. – Disse quase a esticar a curta palavra ao máximo, de tamanha preguiça que sentia.

-Bom dia princesa!- Eu conheci-a e bem aquela voz. Fez-me logo sorrir e sentar na cama. Ele era melhor que café pela manhã. Ouvir a sua voz pela manhã era tão gratificante, tão calmo e tão bom. – Acordei-te?

-Sim, mas não faz mal. És melhor que café pela manhã! – Disse enquanto me levantava da cama.

-Só tu para me pores bem-disposto a esta hora! Como estás?

-Estou bem, como era possível não estar depois de acordar com a tua voz? E tu?

-Acordei bem mas sinceramente não me sinto grande coisa. Estou naqueles dias em que só me apetece chorar, daqueles dias em que tudo me desilude e entristece. Que me sinto só.

-Vou só tomar banho, vestir-me e vou ter contigo. Mas escuta-me tu não estás só, estarei sempre aqui a teu lado. Tens amigos e a tua família, nunca vais caminhar sozinho!

-Vou agora para o treino, amor… Podes vir ter comigo mas vais ficar á espera. Agora no treino vou conseguir concentrar-me para mais logo conseguir dar o meu melhor no jogo. E eu sei que não estou sozinho, mas estou naqueles dias em que me sinto em baixo. – Disse baixando o tom de voz.

-Não te esqueças que tens a estrelinha mais brilhante do céu a olhar por ti! E não desanimes com certeza os teus colegas te animaram e eu estarei aqui sempre para ti!

-Obrigada princesa mas agora tenho de ir para o treino… Desculpa amor.

-Não faz mal. Vai lá meu bem. Depois quando puderes liga-me.

-Está bem amor. Até já! Gosto muito, muito de ti! Beijinhos

-Eu também gosto muito, muito! Beijinhos e bom treino!

Desligamos a chamada e eu comecei a sentir saudades dele, do seu beijo, do seu toque, do seu abraço. Comecei a sentir saudades… Dele. E todos aqueles sentimentos eram novos para mim, eu nunca tinha realmente gostado de alguém. Podia dizer que por enquanto somente o adorava, mas se continuar a sentir todos estes sentimentos de uma vez, posso (e confesso que tenho medo) de o amar. Eu não fui feita para estar “presa” a relações, para estar presa a alguém e confesso que tenho medo de me magoar, mas também magoar essa pessoa.
Tenho medo de falhar enquanto namorada e amiga, e o João não merece que eu falhe. Ele tem sido perfeito para mim e eu não posso dar-lhe tudo o que precisa, tudo o que deseja, eu só posso prometer que lutarei por nós.
Fui tomar banho e vesti-me. Acordei a minha prima que nos foi preparar o pequeno-almoço e eu fui até ao computador, saber mais sobre o jogo que a equipa B do Benfica e principalmente o “meu” João faria. Era contra o líder da Liga de Honra, contra o líder. Era um jogo difícil, mas com certeza iriamos ficar com uma vitória mesmo que difícil. Como diz o Jorge Jesus: “nem que fosse por meio a zero”. Eu tenho fé no Benfica e sei que o João faria tudo pela equipa e os seus colegas também. Não só em nome próprio como em nome da grande equipa que representam.

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O tempo passou e passou. O meu namorado foi mais forte e embora o treinador pensasse e os colegas que ele não se sentia bem para jogar, ele decidiu que queria, iria fazê-lo por ela. E pela sua mãe. Foi convocado e era titular. Voltei a falar com o João e ficou combinado que íamos ver o jogo á bancada presidencial, apenas eu e a Rita. Mas ele não se sentia bem, estava triste e desanimado e isso deixava o meu coração fraco, ficava triste a saber que ele estava assim. Gostava dele, por isso tudo o que ele sentia, eu sentia também. O nosso amor não era irreal mas era forte o suficiente para estarmos juntos na felicidade e na tristeza, a qualquer momento.


Como seria de esperar o Benfica ganhou com uma grande diferença e o João fez um grande jogo, mas eu sabia bem que ele não estava bem. Apesar do seu brilhante jogo, eu sabia que a sua vontade era de chorar e sofrer, só ou acompanhado mas eu acompanhá-lo-ia em todos os momentos, porque mais do que namorados, nós também somos melhores amigos. Ou posso confessar que somos amigos. Mentalizei-me neste curto espaço em que estive com ele que a base para uma boa relação é não só a confiança, como a amizade. E eu adorava-o, muito. Talvez fosse todo este conhecimento de novos sentimentos que me deixe a temer o futuro. Mas algo era certo, precisava dele. E sabia que esse sentimento não desaparecia da noite para o dia. Quem sabe, o meu subconsciente ousado, pensasse no nosso futuro, casados e com filhos. Mas confesso, espero que não para tão cedo. Mas a chamada do Ezequiel marcou-me. Não sei porquê mas marcou-me. Ele… Amava-me. Ou então só me adorava, não sei. Mas saber que queria estar comigo e não puder, ou melhor eu não querer faz-me sofrer. A minha intenção era de todo menos de o magoar, não queria viver a mesma situação que ele e nunca a vivera na pele. Mas deve ser um dos piores sentimentos do mundo, saber que o amor não é correspondido. Sai do estádio e a minha prima despediu-se de mim, foi ter com o Nico e eu fui até ao Centro Comercial Colombo passear. E algumas recordações voltaram á minha cabeça:

(Recordação)

(…) Sorri virei costas e fui embora. As minhas 3 amigas já me esperavam, tinha combinado ir passear ao Colombo com elas como notei a Rita um pouco triste, como já sei que ela em baixo precisa de espaço não a convidei, disse-lhe apenas que ia com a Bárbara e a Telma. Fizemos-nos ao caminho e passeamos durante um bocado. Assim que decidimos ir embora, recebo a chamada da Rita que ia jantar com um amigo e com um amigo do amigo e queria a minha companhia, aceitei claro. Apanhei a Rita no carro que por sua vez não era o carro dela.
O condutor era totalmente surpresa para mim... Era pois, nem mais nem menos que Nicolás Gaitán! Pensei realmente esta miúda consegue tudo o que quer, poderosa! Não lhe perguntei nada, preferia deixar as minhas dúvidas que eram mais de 100 e apenas seguir viagem. Eles falaram durante a viagem e eu fiquei apenas calada ouvindo tudo parecia o Artur naqueles jogos cuja equipa adversária nada ataca: era mera espectadora. E chegamos a um local onde estava nem mais nem menos que “aquele” amigo do Gaitán…

(Fim de Recordação)

Fui passear pelo Colombo enquanto esperava a chamada do João, queria estar com ele. Mas a minha cabeça estava longe por isso peguei no telemóvel e liguei… O Ezequiel era uma excelente pessoa, um excelente homem e amigo. Precisava e merecia uma resposta, estava na hora de ser “mulherzinha” e responder-lhe. Mas o quê?

O que responderá Qeu á declaração de Ezequiel?
E como reagirá ele a tudo? Será que ela vai conseguir “animá-lo”?

sábado, 27 de abril de 2013

Capítulo 24: "O que tens de tão urgente para falar comigo?"

(Passado 7 dias)

A minha vida deu uma cambalhota enorme nestes últimos 7 dias. Posso confessar que tudo mudou. Não vou para melhor, nem pior, foi para… Diferente. Muito diferente. Mas começando pelo início, o João ficou sem reação quando lhe noticiei a gravidez, ele não esperava aquela “bomba”, e logo no início da relação. Afinal quem era o namorado que esperava que a namorada estivesse grávida… Doutro? Confessou-me que me adorava e queria namorar comigo, mas não se sentia preparado para ser pai. Mas com o tempo e a meu lado estava disposto a mudar isso, queria crescer e ser feliz a meu lado. E isso deixou-me mais feliz que nunca, talvez a nossa relação não resultasse durante todo o crescimento (dentro e fora da barriga) do meu filho, mas eu sabia que tinha alguém a apoiar-me em todas as circunstâncias. Apesar de estarmos juntos há tão pouco tempo, nós já tínhamos vivido momentos mágicos. Tínhamos prometido perante o olhar da lua e do mar, no dia em que começamos a namorar que estaríamos juntos, nos bons e maus momentos e que lutaríamos pela nossa relação. E se algo nos incomodasse, nos prendesse o coração, ou a garganta, se algo nos “sufocasse”, que estaríamos juntos e desabafávamos. Falaríamos, porque a base de uma boa relação entre namorados é a amizade e essa existia.
E graças ao meu namorado João que a minha relação com o Ezequiel mudou. Sentamo-nos á mesa como dois “meninos crescidos”, deitamos para trás qualquer mágoa ou ressentimento, qualquer ódio que nutríamos e falamos sobre o que sentíamos e pensávamos. A nossa relação foi curta, é verdade, mas foi intensa. E seguiu-se de uma notícia bombástica. A minha gravidez. Só este ser vivo, do tamanho de uma cabeça de um alfinete mudou radicalmente a nossa vida. No fundo, nós tínhamos mágoas um contra o outro que nunca as dissemos, “sapos” que engolimos, sentimentos que desprezamos e guardamos para nós. Foi uma relação que teve como definição a infantilidade/imaturidade de ambos, nós não nos conhecíamos quando começamos a namorar e isso condicionou tudo. Estávamos dispostos a dar mais uma oportunidade. Mas enquanto amigos. Não tínhamos qualquer sentimento de amor um pelo outro, tanto que eu já estava com o João e era por ele que nutria um sentimento, que poderia chamar de amor.
Quanto ao bebé… Esta é a “bomba” mais difícil de engolir. Na verdade nunca houve bebé. O teste de gravidez deu um falso positivo, e a ecografia que supostamente o médico me fez, foi apenas uma “vingança” pelas respostas rudes que dei às secretárias do hospital. Não acredito que alguém pudesse deixar tão baixo, mas assim aconteceu. Eu criei laços com a minha barriga, porque ser, nunca existiu. Por um lado era algo bom, não estava “presa” ao Ezequiel para o resto da vida, não seria mãe cedo, e poderia viver o romance com o João sem problemas (pelo menos relacionadas com esta questão), por outro lado, era um filho, era uma parte de mim que vinha ao mundo, era algo que sempre quis. O realizar de um sonho. Ser mãe… Era algo que sempre idealizei. E durante semanas pensei que estava á espera de um ser que nunca esperei. Mas a minha vingança e do Ezequiel foi feita ou não me chamo eu, Raquel!
Senti este bebé, mas afinal não o tinha. E isso causava um certo sentimento estranho em mim, sentia a necessidade de o ter, sentia necessidade de ser mãe. E desta vez teria um pai para o meu filho, seria um pai presente. E o Ezequiel seria o padrinho. Mas não podia nem iria fazer isso, não iria engravidar, queria estabilizar a minha vida e só depois pensar no futuro. Não estou preparada e o João não está. Além disso, temos uma vida pela frente. Mas precisava dele ao meu lado, isso era certo.

-João. – Estava sentada no seu colo e ele deu-me um beijo sobre a testa. – Tu… Tu… - Comecei a gaguejar, não sabia como abordar o tema. Mas tinha de o fazer, ficaria desiludida comigo mesma senão o fizesse.

-Princesa, não precisas de te engasgares. Do meu lado não há vergonha, só amor. – Sorri, só pelo facto de ele assumir em voz alta que estava apaixonado por mim, apesar de sermos namorados me deixava feliz, nas nuvens, é a definição perfeita.

-Eu adoro-te tanto mas tanto Joãozinho! – Disse aconchegando-me e ouvindo o seu coração aumentar de ritmo. Batia mais rapidamente e eu não entendia o porquê. Olhei para ele e senti uma lágrima cair do seu olho, limpei-a e disse. – Não chores, eu não quero que chores, não aguento ver-te assim. – Ele sorriu e deu-me um beijo na testa. – Queres contar o que se passa?

-Joãozinho era o que a minha mamã me chamava carinhosamente. – Disse sorrindo mas entendia pela expressão que a sua vontade era de chorar, por isso abracei-o fortemente e disse:

-Desculpa. Não queria... Desculpa. – Na verdade eu era terrível a lidar com mortes, com condolências e tudo o que fosse apoio. Preferia ficar calada a meter a “pata na poça”.

-Tu não sabias. E não precisas de pedir desculpa. A minha mãe é e sempre será a mulher da minha vida, que me protegerá, está neste momento no céu a olhar por mim. – Vi os seus olhos brilharem como duas estrelas cadentes e sem mais nada dizer beijei-o. E ele correspondeu totalmente. Mas assim que separamos as nossas bocas, ele sorriu e disse. – Mas neste momento tenho é de tomar conta da minha princesa que és tu! – Disse beijando-me a testa.

-Já te disse que te adoro? – Disse dando-lhe um beijo na testa.

-Não me lembro! – Fingiu. - Mas podes dizê-lo que gosto muito! E não sei se gostas. – Disse fazendo um beicinho que fazia derreter o meu lado mais difícil.

-Eu gosto muito, muito, muito de ti! – Disse eu enquanto lhe dava um beijinho á esquimó.

-E quem te disse que gosto de ti? – Disse sorrindo. E eu fiquei sem reação confesso que fiquei desiludida. – Eu claro! E se o digo é porque é verdade… E já agora gosto o dobro do que tu gostas!

-Isso é mentira! – Disse convicta. – Eu gosto muito, muito, muito de ti! Desde ali. – Apontei para o sol. – Até aqui. – Apontei para o coração. – E vai continuar a aumentar a cada dia que passa.

-Oh! – Disse querido. – Mas eu gosto mais. Desde o sol até Plutão.                                    

-Oh tonto mas isto nem dá para ver a olho nu.

-O amor não precisa de ser visto, precisa de ser sentido. E bate forte aqui dentro. E prometo-te Raquel Alexandra, que um dia te chamarei Raquel Cancelo.

-E se eu não quiser ficar com o teu apelido? – Comecei a rir-me. – E quero que o próximo homem que irá gostar tanto como eu gosto de ti terá Cancelo no nome e te chamará de pai.

-Gosto tanto, tanto de ti minha gostosa. – Disse beijando-me.

-Mas eu deveria gostar mais de ti, sabes porquê? Por tudo o que fizeste por mim, por não teres desistido de mim, por tudo o que me deste, por tudo o que me ensinaste. E hoje, orgulho-me de te chamar meu namorado. – Disse aconchegando-me nos seus braços.

-Eu nunca desistiria de ti, porque sempre senti que gostava de ti. Ainda é cedo para dizer amo-te e talvez não me sinta preparado, quero dizê-lo, e tu sabes que sim. Mas este sentimento que vive e cresce em mim aumenta a cada dia e a cada instante, e pode ser mais cedo que pensas que te diga amo-te. Porque estou cada vez mais certo disso mesmo. Lutarei por ti, porque é de ti que eu gosto. Muito, muito! Eu tenho medo de dizer amo-te, tenho medo de dizer e dar uma parte de mim e depois ficar sem ela. Desculpa, sei que mereces mais, mas desde a minha mãe… - Vi que ele ia começar a falar sobre um assunto que ainda o magoava e lhe custava muito falar. Eu sabia que ele gostava de mim, não precisava de dizê-lo. Ele tinha atitudes que o provavam, e dizia-o por gestos e atitudes.

-Não precisas de falar mais. Eu conheço-te João Pedro. Eu não sei o que tu estás a sentir, mas imagino. E sei o quanto sofres. E o quanto gostas dela, a tua mãe é, e sempre será a mulher da tua vida, não haverá ninguém como ela. Podes casar-te e teres muitas filhas mas não haverá ninguém como ela, é eterna. E com certeza estará neste momento a olhar por ti, no enorme céu, e a proteger-te.

-E o teu pai está no céu. A olhar e a rezar por ti, tomará sempre conta de ti. E juntos estão a olhar por nós e a rezar por nós e faram tudo para continuarmos juntos. – Disse ele beijando-me na testa.

-Eles podem-nos apoiar mas quem vai lutar, somos nós. Pela nossa felicidade e para continuarmos juntos. Só dependemos de nós mesmos. E no futuro seremos nós os três, quatro ou cinco.

-Porque tantos? – Perguntei sem entender.

-Porque depois de namorarmos durante algum tempo, tenciono casar-me e ter os nossos 3 filhos.

-E porque não apenas dois? Mais do que isso é muito trabalho e deixamos de ter tempo para nós. – Sabia bem o trabalho que uma criança dava, já esperei uma (e pensei que esperava a segunda). Além disso tenho a minha sobrinha e chegou-me este susto com a gravidez. Além disso, temos ainda que educar o Pedro, o irmão do João, meu cunhado.

-Eu gostava muito de ter três filhotes, mas só vou ter os que tu quiseres. Não posso pensar só em mim, tenho de pensar em nós.

-Também depende muito se o primeiro der muito ou pouco trabalho. Mas por enquanto vamos concentrar-nos no Pedro! Ou queres falar mesmo sobre bebés? O meu historial é extenso…

-O Rodrigo faz parte da tua vida e se faz da minha também faz. Quanto á segunda gravidez foi apenas para nos testar e passamos com segurança e confiança. Ou como diz o outro, com tranquilidade. – Sorrimos. E ele beijou-me, um beijo calmo e tranquilo.
Mas o ritmo começou a aumentar e nem o olhar forte da lua interrompeu o momento. Fiquei deitada sobre a areia com o João sobre mim e enquanto as minhas mãos estavam nas costas (sobre a camisola) do João, as suas mãos que estavam pousadas na minha face, foram até às minhas ancas. E tentaram entrar pela minha camisola dentro mas eu não permiti. Afastei as mãos dele de perto de mim e levantei-me e ele também seguiu o meu exemplo.

-Desculpa. – Disse eu.

-Desculpa eu. Deixei-me levar pelo momento.

-Quero levar tudo com calma entendes?

-Claro! Deixei-me mesmo levar pela emoção do momento. Não preciso é de te perguntar se és virgem…

-Achas mesmo que engravidei duas vezes por obra do Espírito Santo? Estás muito enganado foram ambos feitos com muito amor!

-Até fico com ciúmes! – Fez beicinho. – Eu também te farei um bebé com todo o carinho e amor!

-Fazer é fácil, difícil é educar. Mas vá, já que tu me perguntaste… Tu já o fizeste?

-O que é que achas?

-Se soubesse não te teria perguntado. – Disse cruzando os braços e trocando um olhar cúmplice.

-Não. Só o fiz com a minha ex-namorada e estivemos juntos cerca de 2 anos.

-O que é que estás a insinuar? Que vou para a cama com qualquer um? – Levantei-me indignada. Apenas tinha feito sexo com dois homens e namorei com ambos, apesar de serem relações diferentes das ditas normais. Além disso não gostei da sua insinuação. Ele poderia ser meu namorado mas isso não lhe dava autoridade para me chamar o que quer que fosse, não lhe dava o direito de me insultar.

-Desculpa. Não foi bem isto que quis dizer. Queria apenas referir que o historial de relações amorosas na minha família é extensa, costuma começar para não acabar, como foi com os meus avós.

-Então se querias ficar uma história dessas porque não ficaste com a tua ex? – Disse enquanto ele se levantava. Estávamos a começar a nossa primeira discussão, não me agradava mas não era razão para desistir dela. Nada lhe dava o direito de me insultar. E o fato de já ter tido dois ex-namorados não lhe dava o direito de me julgar. Sim, estive grávida e fui julgada por tal. Mas não esperava isto do João.

-Não é nada disso que eu quis dizer. – Disse levantando-se.

-Pois mas disseste. E não podes voltar com a tua palavra atrás. – Disse olhando-o furiosa.

-Mas posso redimir-me. – Agarrou-me pela cintura, pousou as mãos sobre as minhas costas e eu pousei as mãos sobre o seu peito e deixei que ele me beijasse. O beijo foi sentido apesar de calmo, foi um carinho que também nos serviu para acalmar. Assim que terminou, encostei a minha cabeça ao peito do João e ele encostou o seu queixo á minha cabeça e continuou. – Deu para me redimir? – Perguntou enquanto eu sorri.

-Se eu te pedisse o segundo achas que serviria enquanto resposta? – Levantei a cabeça e deixei que ele me beijasse. Mas desta vez foi um beijo ritmado e louco de desejo. Era um beijo que se dependesse de nós não terminaria. Mas tudo o que é bom tem um fim, o beijo acabou e tivemos que nos despedir porque eu tinha a minha família á minha espera para jantar.
Passamos por casa do Nico, onde ele estava com a Rita, e apanhamo-la, e o João foi-nos pôr a casa da minha prima. Mas a despedida foi demorada, e a Rita convidou o meu namorado para ir jantar á sua casa, mas ele recusou. Talvez fosse demasiado cedo conhecer a minha família toda, porque embora (quase) toda a conhecesse, porque ele como jogador de futebol era conhecido, ele não os conhecia e depois do susto da suposta gravidez mais vale deixar tudo acalmar. Ainda era cedo para dar um passo tão grande e nós prometemos ir com calma. A despedida entre os dois ainda demorou algum tempo, não nos queríamos despedir mas sabíamos que tinha de ser. Ele iria jantar com a família e eu com a minha.

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O jantar correu bem. Era um jantar de família, simples, só para nos juntarmos e reencontramo-nos. Falamos da minha (suposta) gravidez, e da responsabilidade que era, ter uma criança nesta altura. Eu sabia disso, mas o meu sonho sempre foi o de ser mãe. E se estivesse mesmo grávida, eu ficaria com o bebé, não deixaria de ter um pai e uma mãe, não deixaria de ter uma família, porque o pequeno não teria o mínimo de culpa de estar no mundo, a culpa e a responsabilidade era dos pais e eu iria assumi-la.  Perguntaram-me pela paternidade do bebé, eu apenas disse que se chamava Ezequiel e era meu ex-namorado. A Rita ficou em silêncio e nada mais disse, respeitou a minha decisão.

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Depois do fim do jantar, despedi-me da minha mãe e fiquei a dormir em casa da minha prima. O telemóvel tinha ficado em minha casa mas não foi motivo suficiente para não dormir lá na mesma, apesar de já sentir algumas saudades de falar com o João. Como não tinha o meu telemóvel mandei mensagem do telemóvel dela para o meu namorado:

“Deixei o meu telemóvel em casa e fiquei a dormir em casa da minha prima. Se for preciso podes mandar mensagem ou ligar para aqui e o número da Ritinha. Beijinhos adoro-te meu rei <3 Qeu”

Passado alguns minutos ele respondeu:

“Por acaso já estava a ficar preocupado contigo… Tinha-te mandado mensagem com saudades tuas e tu nada, e tinha-te ligado, e tu não atendeste. Ainda bem que me avisaste senão já ia à tua procura! Mas agora vou-me deitar que estou cansado e amanhã tenho jogo. De manhã ligo-te e combinamos tudo para ires assistir, se quiseres. Beijinhos adoro-te minha rainha <3 “

 -Que sorriso é esse Qeu? – Perguntou a Rita a entrar pelo quarto.

-Qual sorriso?

-Esse. – Apontou para mim. – Espera já sei! – Sentou-se ao meu lado. – É o amor! – Disse gozando comigo.

-Tens muita piada! – Sorri. – Foi o João que me mandou mensagem para o teu telemóvel porque estava preocupado. Realmente não poderia ter arranjado melhor namorado. – Sorri e imaginei todos os momentos que passamos juntos.

-Estás mesmo completamente apanhadinha! – Disse dando-me uma palmada na cabeça.

-Olha quem fala! Tu estás tão apaixonada pelo Nico que nem te conto! Só dás motivos para gozo! – Disse na brincadeira.

-Mas tem piada gozar contigo. Mas conta lá o motivo de tanta felicidade.

-Estar apaixonada não chega? – Disse retoricamente.

-Isto está bonito está! – Rimo-nos. – Conta lá priminha, o motivo desse sorriso tão grande e tão expressivo.

-Como sabes, quando comecei a namorar com ele, ouve a história da gravidez. E ele assumiu que não estava preparado para ser pai, mas me iria acompanhar. Depois descobrimos que afinal não estava grávida e foi… Esquisito, assumo. Por um lado queríamos muito este bebé, por outro lado ainda hoje temos o hábito de pôr a mão sobre a barriga. E hoje… Falamos em bebés. Em filhos. Ele quer três, mas assume que se eu quiser ter menos, ele aceita e fica feliz. E falamos dos nossos pais, que estão no céu a olhar por nós, a torcer por nós mas o mais importante sou eu e ele. E depois de um momento mais triste uma coisa leva a outra e… - Ela interrompeu.

-Tu e ele fizeram amor?

-Não. Porque eu parei senão sei até onde ia parar…

-E porque paraste?

-Quero levar tudo com calma. Um passo de cada vez e tenho medo de ao fazermos que estejamos a dar um passo maior que a perna.

-E o que disse ele?

-Entendeu. É por essas e outras circunstâncias que digo que tenho ao meu lado um dos melhores homens que podia pedir, senão o melhor.

-Nem imaginas o quão feliz fico de te ouvir dizer isso! Tu mereces e ele também! Mas já sabes tem de haver uma apresentação oficial á família e em especial a mim.

-Lembraste que falei em calma? – Disse relembrando-a. Podia apresenta-lo só a ela, oficialmente enquanto meu namorado, mas preferia dar tempo ao tempo.

-Sim claro. E além disso quem sou eu para falar?

-Pois. Mas agora quem não vai falar mais sou eu que vou dormir. Beijinhos prima, dorme bem. – Disse dando-lhe um beijo na testa e deitando-me e ela fez o mesmo.
A Rita adormeceu logo, o que é para estranhar. E eu fiquei a “molengar” na cama, tinha sono e estava cansada, mas só pensava na tarde que tinha pensado com o João e como seria o dia de amanhã. Como o sono não aparecia acabei por ouvir música do telemóvel da Rita. Até que ele apita mensagem, sem ver quem era tinha enviado acabei por abrir:

“Olá Rita! Desculpa estar a chatear-te tão tarde mas quero mesmo falar com a Qeu com o máximo de urgência. O Nico disse-me que estavas com ela e mandei mensagem a perguntar se podia ligar para falar com ela, é mesmo urgente! Desculpa e beijinhos Ezequiel”

Desliguei a música e fui até á casa de banho, onde me tranquei para ligar ao Ezequiel. Era a única acordada naquela casa e não queria acordar ninguém. O que quer que fosse o motivo do Ezequiel, era urgente e preocupada liguei-lhe.

-Desculpa estar-te a chatear Ritinha mas é urgente. – Disse quando atendeu a chamada.

-Não é a Rita, é a Qeu. E o que tens de tão urgente para falar comigo? – Disse baixinho mas muito depressa. E esperei pela resposta dele.

Qual será a urgência de Ezequiel?
Que influencia terá no romance com João? Como irá correr o dia seguinte com João?