segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Capítulo 28 “Está na altura de termos uma conversa honesta, João e Ezequiel”

Levantei-me do sofá com a manta a cobrir as minhas costas e pousei o chocolate quente sobre a pequenina mesa que havia no meio da sala. Estava frente a frente a eles e enquanto um estava do meu lado esquerdo o outro estava do meu lado direito, o Ezequiel do lado esquerdo e o João do lado direito. E eu não sabia para onde olhar. Por isso, inspirei e expirei devagar, fechei os olhos e voltei a abrir, olhei para um e depois para outro. E falei:

-Está na altura de termos uma conversa honesta, João e Ezequiel. – Olhei para quando um quando disse o nome. – Acima de qualquer outro sentimento, emoção, discussão ou qualquer indecisão da minha cabeça ou do coração, quero deixar bem claro que os dois me fazem felizes e não quero perder nenhum. Tenho a certeza que são os dois meus amigos e vivo ou vivi uma história de amor com qualquer um. Mas neste momento eu não sei o que sinto por nenhum. Gosto muito dos dois enquanto amigos, é certo e sei que o sentimento é recíproco, mas sei que qualquer um dos dois nutre um sentimento de amor por mim e embora eu namore com o João, não sei o que sinto pelo Ezequiel. Peço-vos tempo e espaço para tomar uma decisão, esperem por mim e espero que aceitem a minha decisão, que espero não demorar a ser tomada e se algum dos dois desistir de mim, tenho a certeza que o sentimento que dizia sentir não era tão intenso quanto dizia ser. – Olhei para um e para o outro, não sabia o que fazer e esperava qualquer resposta deles por mínima que fosse, nem que fosse um monossílabo qualquer. Mas nenhum dos dois respondeu. Precisava de qualquer ajuda por mais pequena que fosse. O primeiro a reagir iria significar muito, iria ajudar-me, talvez, a ajudar a esclarecer tudo.

-Não te vou dizer que sou o melhor para ti, nem te vou pressionar, quero apenas o melhor para ti e a tua felicidade. – Disse calmamente. – Sim, somos amigos mas tu sabes que eu gosto de ti enquanto mais que isso, preferia ver-te como minha namorada e ficaríamos muito feliz, mas se preferires e sentires que somos só amigos eu também compreendo, sei que apesar de sofrer um pouco, foi o melhor para ti e eu ficarei igualmente bem com o passar do tempo. Amo-te e ficarei a teu lado aconteça o que acontecer. – Disse o Ezequiel e o meu coração bombardeou fortemente, primeiro porque era a resposta ao que dissera antes e porque era a primeira resposta.

-Já fazes um bocadinho parte de mim, mais do que minha namorada, és a minha melhor amiga e por muito mal que nos aconteça, sei que a nossa amizade vai superar isso. Quando tudo começou existia sempre uma força a tentar separar-nos, a tentar derrubar-nos, a impedir que nos beijássemos. – Baixou o olhar e sorriu. – E depois afastamo-nos um pouco devido a tudo o que nos aconteceu... Mas voltamo-nos a cruzar mais uma vez e os sentimentos voltaram com ainda mais força. Pensava que tudo nos encaminhava para um único sentido, juntos. Mas enganei-me, e quero que sejas feliz, apenas do lado de quem achas que é o melhor para ti, da tua felicidade, quer seja enquanto namorado ou amigo. Quero o melhor para ti. – Disse calmamente e fez-me bem relembrar a nossa história. Já fazia alguns meses que nos conhecíamos e embora conheça o João há mais tempo que o Ezequiel, mas eram sentimentos diferentes e histórias diferentes, com o Ezequiel começou como que um ódio enquanto com o João começou com uma amizade, ele era meu melhor amigo e namorado.

-Vocês já são homens, sabem que a decisão não será fácil e pode demorar dias, como meses ou quem sabe, anos. Peço-vos por favor, que respeitem o espaço e o tempo que vou precisar, não me pressionem, porque isso só será pior, para todos. O vosso silêncio será bom para ouvir a minha cabeça e o meu coração. Sei, bem, que devo seguir o que o meu coração me diz, mas não é tão bonito nem fácil quanto parece. Tenho de ouvir a minha cabeça para não magoar ninguém, apesar de ser quase impossível, tentarei não magoar ninguém, não vos quero desiludir. Mas seja qual for a minha decisão, continuarei a gostar de vocês, muito. Mas agora vou para casa que depois da animação do dia de hoje, preciso de descanso.

-Queres boleia para casa? – Perguntou o até então meu namorado.

-Tenho que ir para Lisboa, por isso não me importo de a deixar em casa. – Disse o Ezequiel.

-Por mim tanto faz. – Disse. – Não quero causar incómodo a nenhum.

-Então eu levo-a. – Concluiu o Ezequiel.

Dei a mão ao João e levei-o para um sítio mais sozinho, ele necessitava de uma palavra mais íntima e pessoal. Afinal, e apesar de tudo, era meu melhor amigo e namorado.

-João, devia-te ter explicado tudo antes de começarmos a namorar. Tu merecias uma explicação e eu não te dei, por isso e apesar de teres sido apanhado desprevinido eu conto. Nós... – Fiz uma breve pausa. - Afastamo-nos e eu conheci o Ezequiel. – Não conseguia decifrar pelas suas expressões o que é que ele sentia. -No início demo-nos muito mal, achava-o super engatatão mas acabei por cair nos braços dele. Envolvemo-nos. Mais tarde começamos a namorar, mas eu acabei com ele, porque não confiava nele. Discutimos e eu dei-lhe um golpe baixo, acertei-lhe onde nenhum homem queria. – Engoli em seco. - Nem amigos conseguiamos ficar e eu descobri que estava grávida. Mas tu reapareceste na minha vida. – Sorri com vontade, feliz do que me lembrava. – E apesar de eu estar reticente tu fizeste-me crer em ti, em nós. Fizeste-me e fazes-me feliz, fazes-me sentir completa. Mas com o Ezequiel, ouve o susto da gravidez, mas que não passou disso mesmo, um susto. Mas o meu coração imaginou o nosso futuro, não te quero magoar. Mas eu já me imaginava com o Ezequiel, a cuidarmos do nosso menino. Nós vimos uma ecografia, nós vimos um filho que não tínhamos. – Baixei a cabeça, desiludida, porque apesar de não pensado, um bebé é sempre importante para a família, como para quem, por outros laços está ligado ao pequeno. – Imaginei o batizado, e tu. Eras o padrinho. – Sorrimos. – Já tinha pensado em nomes. Se fosse um menino gostava que se chamasse Tomás e se fosse menina seria a Letícia. São os dois meus amigos e eu não duvido que vos amo, não duvido que o meu amor por vocês está presente, bem vivo e forte no meu coração, mas eu tenho que optar. Tenho de perceber quem eu amo mais e com quem serei mais feliz. E quem ficará meu amigo, ou se prefiro ficar amiga de ambos e deixar para trás, qualquer outro sentimento de amor. – Confessei. – Quanto á nossa relação, acho melhor darmos um tempo, na minha opinião é o melhor. Mas tu é que sabes, se preferes acabar ou não. – Ele virou-me as costas. Pensei que ele me respondesse mas ele ficou sem resposta e eu não gostava disso, precisava de palavras, não precisava de um silêncio, que traduzido, continuava sem significar nada.

-Desiludiste-me e magoaste-me. – Confessou baixo e eu tive dificuldades em ouvir. – Esperava que me amasses, que me desses o teu ser e te entregasses a mim. – Continuou levantado a voz mas continuava a ter dificuldades em ouvir. – Como eu me entreguei a ti. Esperava que pusesses tudo atrás das costas para seres a minha namorada e melhor amiga. Que pensasses em nós e me apoiasses. – Continuava com a cabeça cabisbaixa. – Mas não conseguiste ultrapassar o teu passado. – Fez uma breve pausa, apenas o suficiente para respirar fundo. – E provaste-me que não gostas de mim, como dizes. Porque bastou eu afastar-me, para caíres nos braços do Ezequiel. Bastou. – Olhei para ele e vi os seus olhos cheios de raiva, mas também com muita vontade de chorar, magoado. – E o que mais me magoa, foi que não me contaste nada. Se tu fosses minha amiga contavas, podia-me magoar, mas magoava-me muito menos que me tivesses contado antes. Esperaste que começássemos a namorar para me contares que estavas grávida. A base para uma boa relação é a confiança e tu és minha melhor amiga e eu pensava que era o teu. Iludi-me, mas o meu sentimento continua igual. Preciso é de tempo e espaço para pensar e digerir tudo. Desapontaste-me tanto Qeu. – Fiquei com as lágrimas quase a cair sobre o meu rosto. Não queria que ele pensasse isto de mim. Não queria magoá-lo, mas a tentar melhorar tudo, acabei por piorar tudo. Por estragar o que de bom tínhamos. – Por isso acho melhor acabarmos. Depois de tomares uma decisão sobre qual de nós, tu realmente amas, falamos. Até lá, temos espaço e tempo para pôr a cabeça em ordem. Desculpa. – Virou costas e fugiu dali. E eu fiquei petrificada. Não sabia se havia de chorar, de gritar, de me encher de fúria. Apenas sabia que não sabia o que fazer. Apenas consegui ficar boquiaberta e vê-lo sair. Sem ter tempo de lhe responder, ou pensar no que fazer. Podia tê-lo agarrado, podia tê-lo impedido de ir embora, podia ter esclarecido tudo. Mas optei por ser uma inútil e ao não responder, assumir que tudo o que dizia era verdade.

Mas não ia chorar, não ia dar a minha parte fraca. Não. Ele podia merecer que eu chorasse por o ter magoado e desiludido mas eu não ia chorar, não ia deixar que soubessem que estava a sofrer. Por isso, aproximei-me do Ezequiel e pedi para nos irmos embora. Fomos até ao carro, sem nunca abrir a boca, ele sabia que algo não estava bem mas não tentou que eu desabafasse e sinceramente não queria. Ou talvez quisesse, mas não me sentia bem a fazê-lo e não fazia bem ouvi-lo. Já perto das portagens, já próximos de atravessar a Ponte 25 de Abril, o Ezequiel diz:

-Qeu, podia dizer-te que se quiseres podes falar comigo e desabafar, que só te fazia bem, que somos amigos e iria escutar-te e aconselhar-te, mas eu estou no meio deste problema. Não me consigo separar e ver este problema do lado de fora, eu amo-te e o amor supera qualquer sentimento de amizade. Não vou desistir de ti, quer seja enquanto amigo ou namorado. Tu fazes-me feliz. – Sorri. Podia ter desiludido o João, mas não tinha desiludido o Ezequiel, e ele não ia desistir de mim. A mão dele estava sobre as mudanças do carro e eu pousei sobre ela e disse:

-Obrigada Ezequiel. Por tudo! – Sorrimos. – Desculpa pelo golpe que te dei, por te ter posto no hospital, por ter ferido os teus sentimentos e por ter acabado a nossa relação. Desculpa tudo o que fiz.

-Qeu, claro que não te vou dizer que compreendo o que fizeste e desculpo, mas é a tua maneira de ser, talvez um dia mudes e sei que se algum dia voltarmos, tu vais tentar mudar e eu te ajudarei.

Não consegui responder, apenas engoli em seco. O único som que se ouvia no carro era do rádio, onde se ouvia músicas, umas conhecia, outras não e diziam-me mais que outras. E era bom ouvir músicas em vez de palavras, descreviam tanto os bons momentos como os maus, descrevia, se fosse preciso toda uma vida. E uma música de um cantor espanhol que adorava e cantava bem, Pablo Alborán, não podia ter vindo em melhor altura. Era incrível como tinha acabado uma relação há pouco mas não pensava muito nisso, mas sim, no facto de estar sozinha com o Ezequiel.

Si alguna vez preguntas el por que (Se alguma vez perguntares o porquê)
No sabré decirte la razón (Não saberei dizer-te a razão)
Yo no la sé (Eu não a sei)
Por eso y más (Por isso e muito mais)
Perdóname (Perdoa-me)

Si alguna vez maldicen nuestro amor (Se alguma vez maldizeres o nosso amor)
Comprenderé tu corazón (Compreenderei o teu coração)
Tú no me entenderás (Tu não entenderás)
Por eso y más (E por isso e muito mais)
Perdóname (Perdoa-me)

Ni una sola palabra más (Nem uma palavra mais)
No más besos al alba (Nem mais beijos pela manhã)
Ni una sola caricia habrá (Nem uma única carícia haverá)
Esto se acaba aquí (Isto acaba aqui)
No hay manera ni forma (Não há maneira, nem forma)
De decir que sí (De dizer que sim)

Ni una sola palabra más (Nem uma palavra mais)
No mas besos al alba (Nem mais beijos pela manhã)
Ni una sola caricia habrá (Nem uma única carícia haverá)
Esto se acaba aquí (Isto acaba aqui)
No hay manera ni forma (Não há maneira, nem forma)
De decir que sí (De dizer que sim)

Si alguna vez (Se alguma vez)
Creíste que por ti (Acreditaste que por ti)
O por tu culpa me marché (Ou por tua culpa me fui)
No fuiste tú (Não foste tu)
Por eso y más (Por isso e muito mais)
Perdóname (Perdoa-me)

Si alguna vez te hice sonreír (Se alguma vez te fiz sorrir)
Creístes poco a poco en mi (Acreditaste pouco a pouco em mim)
Fui yo lo sé (Fui eu, eu sei)
Por eso y más (Por isso e muito mais)
Perdóname (Perdoa-me)

Ni una sola palabra más (Nem mais uma palavra)
No más besos al alba (Nem mais beijos pela manhã)
Ni una sola caricia habrá (Nem uma única carícia haverá)
Esto se acaba aquí (Isto acaba aqui)
No hay manera ni forma (Não há maneira, nem forma)
De decir que sí (De dizer que sim)

Ni una sola palabra más (Nem mais uma palavra)
No más besos al alba (Nem mais beijos pela manhã)
Ni una sola caricia habrá (Nem mais uma carícia haverá)
Esto se acaba aquí (Isto acaba aqui)
No hay manera ni forma (Não há maneira, nem forma)
De decir que sí (De dizer que sim)

Siento volverte loca (Sinto-me louco)
Darte el veneno de mi boca (Dar-te o veneno da minha boca)
Siento tener que irme así (Sinto por ter, que me ir assim)
Sin decirte adiós (Sem dizer adeus)

Siento volverte loca (Sinto-me louco)
Darte el veneno de mi boca (Dar-te o veneno da minha boca)
Siento tener que irme así (Sinto por ter, que me ir assim)
Sin decirte adiós (Sem dizer adeus)

Laralalalaralalarala
Laralaalala
Lalalalara

Ni una sola palabra más (Nem mais uma palavra)
No mas besos al alba (Nem mais beijos pela manhã)
Ni una sola caricia habrá (Nem uma carícia haverá)
Esto se acaba aquí (Isto acaba aqui)
No hay manera ni forma (Não há maneira, nem forma)
De decir que sí (De dizer que sim)

Ni una sola palabra más (Nem mais beijos pela manhã)
No mas besos al alba (Nem mais beijos pela manhã)
Ni una sola caricia habrá (Nem uma carícia haverá)
Esto se acaba aquí (Isto acaba aqui)
No hay manera ni forma (Não há maneira, nem forma)
De decir que sí (De dizer que sim)



O Ezequiel cantou aquela música totalmente em espanhol, num espanhol perfeito que me fez suspirar. Soube-me bem ouvi-lo cantar. Gostava do cantor, da língua, gostava... Do Ezequiel. Conhecia muito bem o cantor, mas não aquela música e conhecê-la com aqueles dois homens a cantar foi, especialmente bom. Aquela letra relacionava-se com o fim da minha relação com o João, mas também com o Ezequiel. Custou-me ouvir aquilo e não chorar, mas engoli em seco, evitei as lágrimas. Preferi ouvir e sentir o silêncio. Foi difícil não confessar aquilo que sentia, já estava habituada e era de mim guardar o meu sofrimento mas tinha que me expressar. Não estava à espera que o João acabasse a nossa relação, eu gostava dele.
Foi já perto de minha casa, que deixei cair duas lágrimas teimosas. Seguidas de imensas lágrimas, de medo, de raiva, de tristeza, mas acima de tudo desilusão. Estava desiludida com o João, muito, porque não esperava isto dele, mas principalmente comigo mesma. Não devia ter feito nada para magoar nenhum deles, corria o risco de perder ambos por um ato de puro. Egoísmo.

Baixei a cabeça e pousei sobre a palma das minhas mãos, e os cotovelos pousaram sobre as minhas pernas. Não queria que ele visse as lágrimas a escorrer pela minha face, nem que sentisse a minha respiração ofegante. Não queria que ele dissesse nada, apenas que me deixasse acalmar, que pousasse a mão sobre o meu ombro e não dissesse nada. Estacionou o carro, sem se aperceber que chorava. Reparou que eu chorava. Saiu do banco e segundos depois, senti a porta ao meu lado abrir. Pousou a mão sobre o meu ombro e disse:

-Qeu, fala comigo. Explica-me aquilo que sentes, o que não sentes, o que pensas. Fala comigo, se isso te ajudar. – Levantei a cabeça e pela primeira vez naquele dia cheio de emoções, senti-me amada, quando ele me olhou olhos nos olhos. O meu primeiro impulso foi beijá-lo, para me sentir ainda melhor, mas consegui segurá-lo. Limpei as lágrimas e disse:

-O João acabou tudo comigo. – Disse de uma só vez, talvez se assim fosse me custasse menos a digeri-lo. – Eu amo-o. E por isso estou a sofrer, porque eu amo-vos e desiludi-o, e desiludi-me a mim mesma. – Deixei cair mais duas lágrimas mas ele rapidamente limpou-me com os dedos polegares.

-Tudo acontece por algum motivo. – Disse calmamente. – Talvez assim tu entendas quem tu amas mais e percebas que nos magoaste aos dois, mas iludiste-te. Existem coisas que tu não consegues controlar, coisas que te ultrapassam e os sentimentos, não mandas neles. – Sorriu e continuava com o olhar fixo em mim. – Tu só podes amar e querer ter ao teu lado um.

-Neste momento quero-te a ti. – Disse, nada convicta do que dizia. Ele olhou-me sorriu e fomos aproximando os nossos lábios cada vez mais. Ele fez com que os nossos lábios se tocassem, mas esperou que eu retribuísse para aumentar o ritmo do beijo. Que só terminou quando o ar nos escasseava. Olhamo-nos depois de separarmos os nossos lábios e eu fugi de perto dele. Estava a enganar-nos. A iludir, eu não sabia o que queria, porque motivo lhe tinha dito aquilo e retribuído o beijo? Soube-me bem, senti-me nas nuvens, feliz. Mas podia não significar nada, podia tê-lo usado para esquecer por segundos, o João. E consegui, mas não se podia repetir.

(Passado alguns dias)

Nos últimos quatro dias tenho falado com o João e já estive com ele também, falamos enquanto amigos. Pusemos qualquer ódio ou recentimento e concentramo-nos nos bom sentimentos que nutríamos. Ele precisou de falar, de desabafar, de se sentir melhor e falar com um amigo. E eu não deixava de ser sua amiga, a sua melhor amiga. Soube-me bem falar com ele, ouvir o seu desabafo e ele ouvir o meu. Fez-me sentir que ele era realmente o meu melhor amigo. Não me pressionou para saber se já tinha tomado uma decisão, não me pressionou para nada. Ouve um momento mais constragedor, que ele causou, estivemos a milímetros de um beijo e eu quis ainda mais juntar os meus lábios mas ele fugiu, afirmando que não me queria pressionar. E soube-me bem, saber que apesar dele gostar de mim, não me pressionava, queria apenas a minha felicidade, podia magoá-lo mas ele estaria do meu lado.
Estava sozinha em casa, numa terça-feira á tarde e ontem jogou o Benfica, o que significa que o Ezequiel hoje está de folga, mais precisamente em casa. O João está fora de Lisboa, foi jogar á Madeira o que significava que não podia estar com ele, embora me sentisse sozinha. Ouvi a campainha tocar e não estava á espera de ninguém, decidi abrir a porta embora não esperasse ninguém. E deparei-me com o Ezequiel, ofegante. Tinha corrido bastante, conhecia-o, pouco mas sabia esta pequena particularidade dele. Olhou para mim e disse.

O que terá dito Ezequiel?
E porque terá corrido para estar com Qeu? Quem é que ela escolherá?

domingo, 28 de julho de 2013

Capítulo 27: "Eu não acredito que tu só me vejas como um amigo"

A casa dele estava coberta de vedações, árvores, arbustos e tinha um aspeto de uma vivenda moderna, não haveria como saltar e ir diretamente para a porta de casa. Toquei á campainha e respirei fundo, haveria de falar com ele nem que saltasse a porta da vedação e entrasse, nem que a polícia me abalroasse, não tinha deixado o João para estar com o Ezequiel em vão. Por pensar nisso, como será que ele vai reagir quando vir o meu recado? Não o quero magoar, longe disso, simplesmente existem aspetos da minha vida que têm de ser mudados e tratados antes da nossa relação avançar, a minha relação com o Ezequiel precisava de ser esclarecida. Havia algumas coisas que eu já sabia: do João eu era melhor amiga e namorada, o que aumentava o nível da nossa relação, a nossa relação, fosse qual fosse tinha futuro enquanto a minha relação com o Ezequiel era só.. Algo complicado. Combinamos ficar amigos, mas na realidade nenhum de nós desabafa com o outro, eu não tenho coragem de lhe contar o que quer que fosse que se passava com o João, nem com a minha vida familiar, ele tinha problemas maiores que os meus e eu não o queria incomodar, enquanto eu estou ao pé da família da parte da minha mãe, apenas com a minha família paterna nos Açores, ele deve ter a família na Argentina e quanto aos irmãos, não sei se tem, durante as nossas conversas nunca conversamos sobre isso. Como foi possível eu ter namorado com ele sem saber estas coisas... Mínimas? Será que era por egoísmo meu, por egocentrismo? Talvez. Ele sabia, do Rodrigo, sabia que o meu primeiro namorado e pai do bebé que faleceu no meu ventre me tinha abandonado e que neste momento namorava com um colega seu de profissão. Que vivia com a minha mãe e tinha família nos Açores, conhecia a minha prima Rita e sabia tantas outras coisas sobre mim, muito mais intimas e pessoais. E eu dele pouco sabia, sabia algumas coisas pessoais e conhecia-o em termos profissionais porque sempre que chega um jogador ao Benfica, a Qeu trata de fazer uma pesquisa do seu historial futebolístico.
A porta abriu e eu entrei, havia uma espécie de caminho em pedra e eu percorri-o entretida aos saltinhos, confesso que parecia uma menina pequenina, talvez no jardim de infância a pisar apenas as pedras para não pisar o chão e lá cheguei á porta sem olhar. Subi as escadinhas sempre a olhar para o chão e para a originalidade das casas novas, era verdade que quem me visse ia pensar que era a pessoa mais infantil mas sou espontânea, e quem não gosta tem bom remédio, não sente a mesma felicidade que eu! As crianças é que tem razão, os adultos só complicam a vida e agora sinto-me uma adulta muito séria, e tenho de ver a situação como se fosse uma criança. Vou falar calmamente com o Ezequiel, como amigos com calma e depois vou ter com o João e explico tudo. Entretida não percebi e fui contra um corpo, como estava com um pé mal apoiado no chão (graças aos meus “saltinhos”) e cai no chão, batendo com o rabo nas pedras frias e duras, apenas consegui deixar-me dizendo:
-Autch! – Apoiei uma mão no chão para me levantar e senti outra a agarrar-me na outra mão e perguntar:
-Estas bien pequeña? – Aquele espanhol era-me todo familiar e trazia-me á memória recordações de um momento em particular:
(Recordação)
-Cariño, eu não me chamo Q. Chamo-me Ezequiel. Vê lá se mudas o nome na camisola. – voltei-me imediatamente para ele e falei:

-Cariño, oh que raio que tu disseste, estamos em Portugal por isso fala português, diz-se carinho e já recebi elogios mais bonitos que isso mas não de um homem deste calibre. – sorri e olhei-o olhos nos olhos. Depois fiquei séria e falei:
-Quem te disse que é do teu nome o Q?
-Na tua camisola está o número com que jogo no Benfica. Segundo está aí o meu nome bem explícito Garay, estamos em Portugal e o meu nome é argentino, logo não é difícil de adivinhar que sou eu… -Levantou-se e olhou-me olhos nos olhos, respondi:
-O Q é de Qeu, a minha alcunha porque me chamo Raquel…E tens razão esse Garay na camisola é do teu nome. –sorri virei costas e fui embora.
 (Fim de Recordação)
-Mas quantas vezes tenho de te dizer que em Portugal se fala português e não essa tua língua? – Comecei a resmungar entre dentes por instinto. Sinceramente nem tinha pensado no que dissera, simplesmente dissera-o.
-Mas será que o teu feitio nunca modera? – Puxou a minha mão de uma forma tão forte que num instante me levantei e fiquei frente a frente com ele, de corpos colados, olhos nos olhos. Sentia a sua respiração sobre os meus lábios e era extremamente exigente concentrarmente no que quer que fosse com aquela proximidade, o seu perfume entranhava-se nas minhas narinas e seguia caminhos estranhos que faziam o meu coração aumentar e muito o seu ritmo. Mas será que como o meu feitio ele também não mudera a sua forma atraente de ser? Fechei os olhos mas não ia permitir que ele me beijasse, não que não quisesse mas por respeito ao João. E estar com os dois não me ajudava a decidir. – Pelos vistos há coisas que não mudam mesmo! – Encostei a minha cabeça ao seu peito assim não havia como ele me beijar, assim podia fugir dele. Estando próxima dele. Abri os olhos e olhei para o lado, não queria que ele falasse mas insistiu. Ficamos assim durante algum tempo.
Era bom ouvir o seu coração, a sua respiração embater na minha cabeça, sentir o seu perfume entranhar-se em mim, como se por magia. Aquilo que estavamos a fazer não era um erro nem parecia um erro, não estava a trair o João, mas por um lado sentia-me a enganá-lo. Mas se somos amigos e não me sinto a enganá-lo porque não haveriamos de fazer? Era um abraço de amigos! Respirei fundo e deixei-me ficar assim, sentia-me bem. E aquele silência sabia-me ainda melhor.
-Qeu. – Olhei para ele e ele continou. – Queres ir lá para dentro?
-Lá para dentro? – Perguntei confusa apontando para dentro de casa, a porta estava aberta era só dar dois paços e estavamos lá dentro mas mesmo assim estava confusa. Fui apanhada desprevinida.
-Sim. Quero mostrar-te uma coisa. – Olhei-o confusa. Já não estava a entender nada, porque é que ele queria ir para dentro de casa? Deu-me a mão e queria levar-me para dentro de casa mas eu fiz força para não sair do mesmo lugar.
-Não vou contigo lá para dentro não senhor! – Fugi com a minha mão ao seu toque e á sua mão. – Sou fiel ao João e a entrar para dentro da tua casa sei que vamos para caminhos que eu não quero ir! – Eu queria falar com o Ezequiel mas ao mesmo tempo estar longe dele, queria explicar-lhe que gostava do João, que era feliz com ele e por ele não senti ao mesmo amor, mas era mentir. Queria estar perto mas longe.
-Não confias em mim? – Tentava não olhar para ele senão tinha medo de deixar de o ouvir perdida em tamanha beleza, por isso olhava para a sua barba, para as suas bocechas (embora tapadas pela barba), para o seu nariz, ou testa, conhecia todas aquelas feições, os lábios conhecia os recantos, até bastante mais do que estava á espera! O que conhecia menos na sua face eram os olhos, porque fintava-o sempre.
-Confio, mas... – Comecei a olhar para o chão a tentar arranjar uma desculpa melhor do que a confiança ou o João para não entrar em casa dele. Já sei! – Não quero ir, pronto é isso! – Confessei.
-Caso não te tenhas apercebido já estás na minha propriedade.. – Ri-me. Não estava em casa dele mas estava na porta.
-Então eu vou ali para a rua para o outro lado da porta e tu falas aqui de dentro pode ser? – Perguntei a sorrir.
-És mesmo tonta Qeu! – Fingi-me ofendida. – Queres ir para a piscina então? – Não estava tempo para tal e não tinha roupa por isso podia perfeitamente ser á beira da piscina. Mas será que todas as minhas relações tinham algo a ver com água? Comecei a namorar com o João na praia, vou ter esta conversa com o Ezequiel á beira da piscina, será que o problema era mesmo eu que tinha “água” na testa? Comecei-a a rir sozinha e o Ezequiel acompanhou-me mas depois parei porque já me doía o maxilar de tanto me rir.
-Vamos lá senhor Ezequiel! – Caminhamos até á piscina e enquanto ele se sentou numa das espreguiçadeira eu sentei-me com as pernas dentro de água, estava de calções e só me ia refrescar, não tinha mal, assim esperava.
-Viste a mensagem que te deixei no correio de voz? – Olhei para ele que acenou com a cabeça positivamente. – E então porque não disseste nada?
-Raquel. – Levantou-se e sentou-se ao meu lado. – Eu não acredito que tu só me vejas como um amigo. – Estava a custar-me ouvir aquilo, principalmente quando me dizia olhando-me nos olhos. – Nós começamos a nossa história ainda há pouco tempo é certo mas já é uma história... Particular. Não acredito que não tenhas qualquer tipo de sentimento por mim. – Ia abrir a boca e responder mas ele não me deixou e continuou. – Deixa-me acabar por favor. Sei perfeitamente que combinamos que iamos ficar amigos mas eu tinha de te dizer o que sinto antes de tomar alguma decisão, seja ela qual for. Podes dizer que não sentes nada mas eu vou continuar com as minhas dúvidas, ainda não me consegues olhar nos olhos, ainda tens necessidade de ficares agarrada a mim e a tua preocupação em não quereres entrar em casa? Quero ver-te justificar isso não é para mim mas para ti própria! Não vou tentar nada, tu és namorada do João e eu respeito isso, estás feliz com ele e a tua felicidade está acima da minha! Mas só te peço para pensares bem no que vais fazer, por favor, eu estarei sempre aqui do teu lado seja a tua escolha qual for. – Olhei-o diretamente nos olhos enquanto ele se levantava e sentava-se ao meu lado. Continuavamos com os olhares cruzados um no outro, não sabia mesmo o que dizer, secalhar o silêncio era mesmo o que o momento pedia. Sentou-se ao meu lado e num gesto, meio involuntário aproximei os nossos corpos , todo o nosso corpo estava a centímetros e as nossas faces estavam violentamente próximas, aquela (pouca) distância que havia entre nós era suficiente para num impulso cometermos um erro. Havia desejo entre nós, mas não era um desejo sexual, era um desejo muito mais puro, o desejo apenas de sentir os seus lábios a saborearem os meus, as nossas línguas cruzadas como uma só. Nós, juntos. Simples. Cravamos ainda mais os nossos olhares, não pensei em nada, nada mesmo, não conseguia.
Fechei os olhos e coloquei as minhas mãos sobre o seu peito, os nossos lábios estavam demasiado próximos, bastava eu mexer os lábios que se cruzavam, sentia a sua respiração nos meus lábios. Aquele silêncio e aquele momento sabiam bem, até que...

You tell all the boys no (Dizes não a todos os rapazes)
Makes you feel good yeah (Faz-te sentir bem)
I know you're out of my league (Sei que estás fora do meu alcance)
But that won't scare me way out no (Mas isso não me vai assustar e afastar)

Aquela música despertou-me para a dura realidade, continuamos tão próximos como estavamos antes, os olhos dele estavam fechados e estavamos á espera do momento certo, ou talvez do instinto a falar. Nenhum dos dois queria unir os lábios, queriamos saboreâ-lo mas faltava coragem, sabiamos que isso ia trazer resultados que não seriam positivos.

You've carried on so long (Levaste isto por tanto tempo)
You couldn't stop if you tried it (Não consegues parar nem se tentasses)
You've built your wall so high (Ergueste um muro tão alto)
That no one could climb it (Que ninguém consegue subi-lo)
But I'm gonna try (Mas eu vou tentar)

Não, não podia fazer aquilo! Iria sentir-me culpada para o resto da minha vida, iria viver com remorsos, iria criar uma falsa expectativa ao Ezequiel, iria enganar o João e eu não iria perdê-lo. Afastei-me a pouca distância que os nossos lábios tinham e encostei a minha cabeça ao seu peito, era isso que precisava. Precisava de sentir-me viva e segura, e nos braços do Ezequiel eu podia escutar o seu coração e matar as poucas dúvidas que tinha sobre o que ele sentia.

Would you let me see beneath your beautiful (Deixas-me ver por baixo da tua beleza?)
Would you let me see beneath your perfect (Deixas-me ver por baixo da tua perfeição)
Take it off now girl, take it off now girl (Desfaz-te disso agora, rapariga desfaz-te disso agora, rapariga)
I wanna see inside (Quero conhecer-te por dentro)
Would you let me see beneath your beautiful tonight (Deixas-me ver por baixo da tua beleza esta noite?)
Agora era a minha vez de o lembrar um pouco da nossa história, sussurrei:
You tell all the girls go (Deixas todas as raparigas ir)
Makes you feel good, don’t it? (Faz-te sentir bem, não é)
Behind your Broadway show (Por trás do teu espetáculo da Broadway)
I hear a voice say please don’t hurt me (Ouvi uma voz dizer por favor não me magoes)
You’ve carried on so long (Carregaste isto por tanto tempo)
You couldn’t stop if you tried it (Não consegues parar mesmo que tentes)
You’ve built your wall so high (Ergueste um muro tão alto)
That no one could climb it (Que ninguém consegue subi-lo)
But I’m gonna try (Mas eu vou tentar)


A música terminou e eu afastei-me por completo dele, levantei-me da piscina enquanto ele me olhava e tinha de dizer alguma coisa antes de me ir embora por mais sem sentido que fosse, por mais aleatória tinha de a dizer:

-João. – Confessei enquanto me lembrava dele. – Desculpa Ezequiel, eu... Adoro-te mas se tiver que optar entre vocês, eu prefiro o João. – Disse enquanto tentava controlar as lágrimas. Estava a falar verdade, ou talvez não, sentia-me bem e era feliz com os dois. Como poderia estar a duvidar daquilo que sentia? Tinha feito amor com o João há pouco tempo, tinha declarado o meu amor por ele, tinha aceite o seu pedido de namoro e era feliz como poderia ter a minha cabeça baralhada entre o meu passado e o meu presente? A minha história de amor com o Ezequiel faz parte do passado, as memórias tem de ser enterradas, com o João estou a viver o presente, a minha felicidade de agora. Tinha que falar com ambos e esclarecer tudo. Virei costas e fui-me embora dali, afastei-me daquele sítio e dele que só me traziam recordações. Estas que não queria viver. Ou talvez quisesse, sentia-me bem nos braços do Ezequiel, como me sentia nos braços do João. Corri e fui até ao exterior da casa do Ezequiel, tinha a mala comigo e não tinha muito dinheiro comigo, talvez não o suficiente para apanhar novamente o táxi e ir para onde quer que fosse. Tinha o telemóvel no bolso das calças e a carteira, chaves e tudo o resto dentro da mala. Até que sinto alguém a tocar na mala, agarrá-la e fugir. Não consegui ver quem era, não tive tempo de reagir, senti-me fraca e impotente. Estava entregue a mim mesma e agora? Sentei-me no chão, encostei-me a um muro e chorei, soltei todos os meus sentimentos naquelas lágrimas, raiva, frustação, impotência e não saber ao certo sobre o que sentia por eles. Até que oiço alguém a gritar o meu nome, não muito longe:

-Qeu. – Eu conhecia aquela voz, era o Ezequiel. Sentou-se ao meu lado e abraçou-me fortemente, não perguntou nada apenas deixou-se estar assim. Mas eu não me sentia totalmente bem, faltava alguém para me sentir realmente bem. O telemóvel que estava no meu bolso tocou. Rezava para que fosse o João. Separei os meus braços dos do Ezequiel e agarrei no telemóvel. Olhei para o ecrã e as minhas preces tinham sido ouvidas, era o meu namorado. Precisava também de estar com ele. Não era um momento de escolha, era um momento em que precisava dos dois ao meu lado. Atendi o telemóvel sinceramente sem saber bem como o fiz, estava nervosa, super nervosa a chorar. Atendi a dizer:

-Amor preciso de ti! – Chorei ainda mais compulsivamente e o Ezequiel abraçou-me fortemente. Pegou no telemóvel e disse:

-João, a Raquel foi assaltada, não há tempo para justificações. Vem ter connosco o mais rápido que puderes, estamos ao pé da minha casa. Sabes onde era a antiga casa do Luisão? É essa mesma! Despacha-te! Até já. – Ele agarrou-me ao colo e eu deixei que acontecesse.

-Vou levar-te até minha casa, o João já vem ter connosco mas primeiro preciso que me expliques o que se passou. – Disse enquanto caminhavamos a caminho de sua casa.

-Fui assaltada. – Era a primeira vez que dizia aquilo em voz alta, custava-me a crer, sofria e chorei ainda mais, estava desesperada. Sentia-me impotente.

O Ezequiel levou-me até sua casa e preparou-me um chocolate quente, cobriu o meu corpo com uma manta e perguntou-me imensas vezes se estava bem, estava preocupado comigo. Ouvi a campainha tocar, senti-me sem forças para me levantar e abrir a porta mas por outro lado só podia ser o João, e eu queria estar com ele. O Ezequiel falou:

-Deve ser o João, eu vou lá, não te mexas. – Não me deu tempo para responder e foi abrir a porta.

Como correrá o encontro entre os três?
Como irá reagir João a presença de Ezequiel e vice-versa? Será que ela vai contar o que se passou?