sábado, 29 de dezembro de 2012

Capítulo 17: “Juntos vamos educar este filho, que é nosso: é teu e meu“

Não sabia o que pensar, o que fazer, instintivamente pego no carro para ir ter com o Garay, não sei o que me deu, não pensei no que fiz, fi-lo e pronto, talvez perdida em pensamentos foi a primeira pessoa que me surgiu na cabeça, talvez porque seja ele o pai ou algo mais, também porque sabia que não estava sozinho assim não poderia reagir a quente, a Rita e o Nico impediriam que algo acontecesse e duvido que estando grávida ele me respondesse do mesmo modo que eu o magoei (física não psicologicamente), já no caminho ligo para o Nico, isto tudo porque não tenho o número do Garay e se tivesse duvido que me atendesse depois do que lhe fiz, mas sei que o golpe não foi demasiado mau para o condenar á infertilidade, mas quem me atende é a minha prima e começamos a conversar:

-Qeu vem ter connosco, o Ezequiel está nas urgências do Hospital Garcia de Orta, está a contorcer-se com dores. – Por um lado senti um arrependimento a sugar-me o corpo, fui demasiado dura com ele, não mereceu a minha atitude mas estava a pagar por uma atitude talvez infantil, não era minha intenção magoá-lo, era só pregar-lhe um susto. Mas não ia dar a minha parte fraca, não ia mesmo, posso estar grávida (ou talvez não) mas sei perfeitamente o que faço, fiquei preocupada e com um peso na consciência claro.

-E ele está bem? – Foi a única coisa que me saiu, podia ter perguntado um milhão de coisas mas optei pela mais parva sinceramente.

-Que e que tu achas Raquel? Está nas urgências do hospital depois de levar um murro nos testículos teu e tu ainda tens a lata de perguntar se está tudo bem? Tu tens noção que se eu e o Nicolás não estivéssemos chegado á hora que chegamos podia ter sido ainda mais grave? – Obrigada Rita por me teres posto ainda pior, obrigada por me teres posto ainda mais peso na consciência, claro que me estou preocupada com ele, fui eu que fiz a asneira, ele é o pai do meu filho, a minha intenção não era pô-lo nesse estado, era simplesmente manter a distância suficiente entre nós, não consigo aguentar isto tudo, sou humana e estou grávida é demasiada emoção para uma só pessoa.

-Eu sei que fiz asneira, escusas de me lembrar. E fica sabendo que vou já a caminho do hospital para ver como ele está e pedir desculpas, é o mínimo que posso fazer. – Contive as minhas lágrimas ao máximo quando a minha vontade era chorar, não sei bem explicar bem porquê não era só culpa, era algo mais que isso, não sei explicar talvez seja a emoção e as hormonas que a gravidez me deu.

-O Ezequiel não te quer ver. – Fiquei pasmada, mas não ia ficar sem resposta.

-Ele não tem escolha e eu também não lhe perguntei, vou vê-lo e pronto.

-Qeu é melhor não, ele pode ser operado daqui a pouco tempo e a última recordação que ele quer ter não deve ser a rapariga que o pôs neste estado, depois logo se vê. – A Rita estava a tentar acalmar o Nico, ao mesmo tempo que falava comigo, sabia que ela estava próxima do Ezequiel, entendi logo que estava a tomar conta de três mas eu sempre se segui contra as regras, pelo que sempre quis e não ia dar ouvidos a ninguém. Desliguei a chamada, estacionei o carro e fui até às urgências, havia imensa gente á espera de ser atendida mas não os via, fui até ao atendimento e perguntei:

-Olhe desculpe pode-me dizer onde está o Ezequiel Marcelo Garay? – A senhora olhou-me com cara de gozo e num tom assim perguntou:

-Acha que mesmo se pudesse lhe dava esse tipo de informação? – A minha vontade era saltar aquela bancada e lhe espetar um estalo mas não ia descer ao nível dela, nem pensar, respondo com todo o tom estranho que havia em mim, um tom sínico.

-Oiça lá só porque a senhora está a fazer atendimento ao público e já teve de lidar com pessoas menos simpáticas não significava que eu seja igual a elas. – Agora mudei o meu discurso para um tom simpático e honesto. – Eu estou grávida mas precisamente á espera de um filho dele e tanto eu como o meu filho estamos preocupados, por isso agradecia que me desse essa informação se não fosse muito incómodo. – A senhora começou a rir-se, tocou na colega ao lado que olhou para ela e cochichou, mas suficientemente audível para eu ouvir:

-Já viste isto? As miúdas de hoje estão tão desesperadas por saberem dos seus ídolos que já inventam mentiras sem pés e cabeça! – Começaram a rir-se as duas e a minha vontade era de saltar aquele balcão e desfazer as duas á chapada.

-A menina sabe-me dizer quem o está a acompanhar? – Apareceu uma senhora vestida de enfermeira atrás de mim a fazer-me aquela pergunta e eu respondi, talvez fosse a minha oportunidade de o encontrar.

-Sei sim, está o Nicolás Gaitán e a minha prima Rita. – Disse e ela olhou-me. Era uma enfermeira bastante simpática e bonita, talvez fosse a minha escapatória para os ver, ou melhor para ver o Ezequiel, queria pelo menos dizer-lhe que lamento o que fiz, a minha intenção não era de todo magoá-lo era só uma brincadeira que correu mal.

-E sabe porque razão ele está internado? – Eu queria muito vê-lo, queria vê-lo e saber como estava mas aquele interrogatório da enfermeira estava-me a deixar nervosa mas entendi que era normal querer saber toda aquela informação para se certificar que o que dizia era verdade.

-Sim, dei-lhe um murro nos testículos. Será que me pode levar até ele? Tenho mesmo de lhe pedir desculpa. – Agarrou no braço e levou-me a correr até junto dele. O Nicolás estava á porta e assim que me viu olhou-me com olhos de raiva, de ódio, era compreensível, magoei um grande amigo e não só coloquei-o no hospital. Entrei no quarto juntamente com a enfermeira e olhei para a Rita que se demonstrou triste com a minha atitude, não só porque fiz o contrário do que ela me pediu mas porque magoei o Ezequiel, sou diferente das raparigas da minha idade, faço tudo o que quero mas nunca magoei ninguém a este ponto, aproximei-me do Ezequiel que estava a ser acompanhado por um médico e embora meio zonzo, dei-lhe um beijo na testa mas as suas expressão não mudavam, estava triste e desapontado, nada me magoava mais que isso, saber que ele estava magoado comigo e sussurrei-lhe:

-Desculpa Ezequiel, não era minha intenção magoar-te não de todo, apenas queria pregar-te um susto. Ver-te mal é o pior sofrimento que me podiam causar e eu quero que melhores rápido para juntos educarmos este filho, que é nosso, é teu e eu aceito educa-lo ao teu lado mas para isso tens de ficar bom, vai assumi-lo e preparar-te para esta oportunidade, não pensada nem desejada mas que aconteceu por algum motivo. Desculpa Ezequiel.

O que será que o Garay vai responder?
Será que Raquel está mesmo grávida? O que espera o futuro daquela relação?

sábado, 22 de dezembro de 2012

Capítulo 16: "Não há um nós, há sim, eu, tu e o bebé"

Queria dedicar este capítulo a uma pessoa super simpática e que demonstra cada vez mais o seu valor comigo, toda a atenção, todo o cuidado e todo o carinho, Obrigada Cátia Mira autora de http://amoateaofim.blogspot.pt/; "Amo-te até ao fim", e porque sou a autora favorita dela xD Beijinhos 

O beijo foi intenso, deixei-me levar, não sei bem explicar, teve uma mistura de doce com violência, era uma mistura louca de qualquer coisa que eu não sei bem traduzir por palavras, não o amo, isso não, nem acho que goste dele para estar numa relação e não acredito que se algum dia tivéssemos uma relação resultasse e também quem precisa de uma relação para nos ligar quando iremos estar ligados para o resto da vida, o nosso filho traria desse assunto para sempre, ai que poético Qeu! Eu nem quero que ele o assuma, ou aliás quero simplesmente que ele assuma mas não queira saber dele, podem dizer á vontade que assim escolhi o homem errado mas olhem eu não escolhi, simplesmente aconteceu, eu quero ser mãe solteira, sei bem que é difícil ser mãe solteira, sinto quase que o fui do Rodrigo apesar de ele não ter nascido, acarretei sobre mim mesma tudo o que aquele bebé trazia, já tinha algumas roupas, já tinha algumas coisinhas para ele, e quando o perdi senti que não podia contar com ninguém, o pai dele deixou-nos e simplesmente éramos nós os três, senti todas as emoções de uma gravidez, de um filho e quando as perdi, talvez por culpa própria tive de guardar tudo para mim. Assim que separamos os nossos lábios, sorriu e ficamos segundos a olhar-nos, coloco a mão esquerda sobre a sua face e com a outra mão dou-lhe um murro muito bem dado na parte mais baixa dos homens, para ser mais precisa na parte que teve influência direta na criação deste filho. Ele deita-se no chão a queixar e eu respondo:

-Coitadinho que o menino é sensível! – Coloquei-me no chão ao pé dele e digo.-Não há um nós, há sim, eu, tu e o bebé. – Viro costas e vou embora, daquele sítio, daquele local, dele e de tudo o que possam imaginar, definitivamente não havia um “nós”, havia um, eu, ele e o bebé e quem sabe o bebé não iria ser só mais um susto na minha vida, afinal não era o primeiro e como perdi o Rodrigo, também tenho probabilidades de perder este também, por vezes penso que sou eu que não estou destinada a ser mãe, apesar de ser o meu sonho. Pego no carro e vou até minha casa, pelo caminho oiço o telemóvel e decido atender, não sem antes ver de quem era a chamada, se fosse o Ezequiel iria negar a chamada, mas que raio, detesto pessoas que me deixam sobre pressão e claro depois do golpe “baixo” que lhe dei pensei mesmo que deixei bem claro que não queria nada com ele, secalhar até queria mas não estava disposta a ter uma relação com um homem que mal conheço muito mais estando eu grávida de um filho dele, ele depois devia querer o casamento e nunca, nenhum homem me vai fazer mudar de ideias em relação a isto, o amor é uma coisa que a mim não me afeta. No caminho de regresso a casa recebo uma chamada, vejo que é da minha mãe e sinceramente não estava com disposição para ouvir histórias ou para ouvir raspanetes, desligo e de imediato ligo á minha prima Rita, ainda demora a atender e assim que atende fá-lo ofegantemente e de imediato provoco-a:

-Desculpem interromper o vosso desejo insaciável de sexo mas vinha avisar-vos que á vida para além disso e á um amigo do teu namoradito, o Ezequiel que está mal, está em casa a queixar-se das partes baixas por isso vão ver dele. Beijinhos adeus, muita produtividade!- Dito isto desligo o telemóvel, arrumo dentro da minha mala e volto para a condução mas desta vez decido talvez tomar uma atitude que não devia tomar mas olha, não é por tocar na barriga que me afeiçoou a este bebé e claro o pequeno também precisa de sentir alguma ligação da minha parte, porque vou fazer tudo para o Garay nem se aproximar da minha barriga, distância e depois do murro que lhe dei acredito nitidamente que ele vai querer mesmo distância de mim, para bem dos filhos que ele terá com qualquer outra mulher, porque meus chega um e mesmo assim acho que já é muito, mas compreendo que queira criar alguns laços com o filho, não digo que não o faça mas não será o típico pai. Como por esta hora a minha mãe estava em casa e não queria estar com ela, até porque me iria chatear e eu acabaria por lhe contar que estou grávida novamente e isso ia gerar discussão, e sei perfeitamente que não ia acabar bem, decido ir até casa da minha prima Rita, vestir um biquíni e uma roupa de verão e vou até á praia, como tinha as chaves nem iam dar que lá passei. Assim que lá chego, vejo o quarto da Rita fechado mas era no quarto dela que eu tinha a minha roupa, bato á porta e vejo que está vazio, o que estranhei visto que até havia uma meia branca na maçaneta, dispo-me, arrumo a roupa toda e visto o meu biquíni, o mais atrevido que tinha por lá por sua vez.














Já fora do quarto, deparo-me com o Nico apenas com uns boxers vestidos e a Rita aparece pouco depois com a camisa dele vestida, sorriu mas sem dizer nada vou-me embora, fui sem destino algum, ia até onde a minha mente me levasse. E não, não fui até á praia onde acabei com o Ezequiel, nem na praia onde estivemos juntos, levou-me até a uma praia de Cascais que ainda hoje desconheço o nome. Saiu do carro e sinto uma sensação que não era de todo estranha em mim, quer dizer era estranha na fase em que me encontrava (a gravidez), sinto que estava com a menstruação e vou até á casa de banho mais próxima e o mesmo se revelava verdade, o período tinha realmente aparecido, estava mês e meio atrasado mas apareceu, apesar do teste de gravidez ter dado positivo, havia algo que não batia certo, então mas perdi a criança? Será que foi outro susto? Não sabia o que fazer até que decido novamente voltar para ao pé do Garay, não era a melhor ideia depois do golpe que lhe dei mas se era falso alarme ele precisava de saber que (felizmente!) já não estávamos unidos para sempre como dizem nos contos de fadas.

Será que foi mesmo um falso alarme?
Como irá reagir ele a esta notícia? Como ficará a história deles depois disto?

Como não poderia deixar de ser quero desejar a todas as leitoras um excelente e feliz Natal junto dos que amam, cheio de amor e de todos os valores que esta época simboliza. Beijinhos minhas queridas leitoras :)

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Capítulo 15: "Vais ser pai, Ezequiel!"

Disse aquela frase muito rápido, talvez porque assim fosse mais fácil para mim dizê-lo e porque receava a sua reação, na verdade eu não tinha muita esperança que o bebé nascesse, nos primeiros 3 meses de gestação tudo podia acontecer e embora eu quisesse muito dar um irmão ao Rodri, não tinha esperança que fosse desta vez que isso fosse acontecer, secalhar não estou preparada para ser mãe e foi por isso que me apareceu estas “lombas” na minha vida, o pai do meu filho mais velho abandonou-nos e o pai do segundo tinha sido eu a abandoná-lo, não sei bem o que sinto por ele, não nego o que sinto mas não o amo loucamente para perdoar uma traição, para me entregar loucamente, para ter uma relação com ele sem confiar nele. Não estava disposta a mudar por ele. Imaginei todos os tipos de reação dele nos breves segundos que diferenciaram a minha frase da resposta dele, mas claro até aí ele me surpreende, ele diz-me:

-Não entendi. – Uma lágrima teimosa correu o meu rosto, lembrando-me do meu filho, apesar de já ter passado vários meses eu não me perdoava pela perda dele, ao início foi difícil digerir tudo, e quando já estava preparada para aceitar o nascimento dele, e de escolher um nome e de ver as primeiras ecografias, ele morreu, nunca chorei á frente de ninguém por ele, nunca mesmo, mas sempre que me deitava para ir dormir chorava, ia até junto do mar e chorava. E ele estava-me a pedir para repetir, para lhe dar a notícia e eu tive de o fazer:

-Vais ser pai Ezequiel. – Disse calmamente, já tinha digerido todas as emoções, será que ele assumiria o filho? Será que seria uma boa mãe e ele um bom pai? Para quê preocupar-me com isto tudo se o mais provável era mesmo sofrer outro aborto, ou então ele não assumir o bebé e eu educá-lo sozinho, mas claro como mulher que sou imaginei logo o futuro do meu filho ou filha, embora já me considere mãe porque já estive grávida. Sentei-me no chão, cruzei os braços e pousei a cabeça sobre eles. O Ezequiel chegou até perto de mim, baixou-se, colocou as mãos sobre os meus braços e respondeu:

-Estás grávida Qeu? – As lágrimas já me corriam o rosto, não tive coragem para levantar a cabeça por isso acenei simplesmente com a cabeça e entre soluços respondi:

-Sim. Sim, estou e só tu podes ser o pai. – Ele deu-me um beijo na cabeça, sentou-se ao meu lado e ficou na mesma posição que eu.

-Tens a certeza?- Abanei positivamente a cabeça, limpei as lágrimas que estavam no meu rosto e perguntei-lhe. – Posso sentar-me entre as tuas pernas? Preciso do teu apoio, preciso de um pai para o meu filho. O pequeno precisa de ti mais do que nunca. – Ele levantou-se e deu-me a mão e fez-me levantar também, agarrou-me na cintura e puxou-me contra o seu corpo e beijou-me a testa enquanto as mãos subiam até á minha face e as minhas mãos puxavam-no contra mim. Apenas fechei os olhos e separei os lábios, talvez procurasse algo mais que o beijo na testa, talvez procurasse os lábios dele, e sempre podia desculpar-me que foi um desejo do nosso bebé.




















-Não é só o bebé que precisa de mim, tu também precisas de mim nesta nova fase. – Não tive coragem para o beijar, mas tive coragem para o abraçar, não estava á espera que aceitasse tão bem esta “boa-nova”.














-Obrigada pelo teu apoio mas tenho medo de voltar a perder o bebé como perdi o Rodrigo. – Sussurrei-lhe ao ouvido, num tom bastante baixo, que até eu tive dificuldade em ouvir as palavras que tinha dito, não tinha pensado dizer-lhe mas depois de dito não havia volta a dar. Ele aperta-me mais naquele abraço sentido que partilhávamos e pergunta, o que tanto temo:

-Quem é o Rodrigo? – Sento-me e ele senta-se ao meu lado, encosta a cabeça no meu ombro e dá-me a mão, voltei a sentir um misto de emoções em mim, tinha medo de serem as hormonas da gravidez a falarem ou de ser simplesmente o meu coração a falar, tinha medo de qualquer uma das opções mas deixo fica-las assim, precisava dele e isso eu já tinha assumido.















-De certeza que não queres ouvir mais uma história de uma rapariga que perdeu um filho por sua própria culpa. – Disse suspirando, por um lado queria derramar as primeiras lágrimas junto a uma pessoa por causa do aborto espontâneo que fiz, talvez assim já estivesse mais “descansada” e calma em relação a esta nova gravidez.

-Eu quero ouvir por favor conta-me. – Olhou-me nos olhos e eu sorri, inspirei bem fundo e contei com toda a calma do mundo:

-Há dois anos, mais precisamente no dia em que fiz 16 anos descobri que estava grávida de quase 3 meses, caiu quase uma bomba sobre mim, não estava á espera de ser mãe apesar de ser o meu sonho desde que me lembro, era tão jovem e não estava preparada, não estava á espera, porque tive o período até então. Acabei por aceitar a gravidez já quase no 4º mês, noticiei a toda a minha família e amigos e o pai do bebé fugiu mas eu quis ficar com ele na mesma, fiz a ecografia e disseram-me que era um menino, chamei-lhe Rodrigo.  Afeiçoei-me a ele, talvez demasiado e depois ele acabou por morrer no meu ventre. Ainda hoje sofro pela sua morte, fiquei de rastos mas mesmo assim decidi não demonstrar as minhas lágrimas em frente a ninguém, sou forte e de certeza que o Rodri não ia gostar de me ver a chorar por ele, mas de certeza que queria que sorrisse porque fiz tudo por ele, apesar do pai nos ter abandonado.- Pela primeira vez na minha vida falei com toda a calma sobre o assunto. Ele beija-me pela primeira vez desde que acabei a nossa relação, um beijo pontuado pela calma, mas ao mesmo tempo cheio de emoção, deu-me a calma suficiente para lidar com a aceitação dele, para digerir tudo e para quem sabe derramar as primeiras lágrimas em frente de alguém pelo meu filho falecido e quem sabe esperar um futuro risonho com o que carrego no meu ventre. Precisava na mesma de saber se ele estava disposto a aceitar o bebé e a educá-lo, afinal era o pai dele e não nos abandonou até agora como fez o João, pelo menos esperava que não acontecesse.

Será que Qeu vai derramar as primeiras lágrimas em frente a Ezequiel por causa de Rodrigo?
Será que ele vai aceitar o bebé e assumi-lo? Que significa aquele beijo?

sábado, 15 de dezembro de 2012

Capítulo 14: "Eu não posso, eu estou á espera!"

Boa noite leitoras! :)
Tive algum receio em publicar este capítulo visto que as visualizações têm andado baixas comparativamente ás fics do mesmo blog: Por Ti & Quando Menos Esperares, mas como falei com algumas leitoras e elas pediram muito e é um capítulo decisivo decidi publicá-lo só agora, apesar de já estar escrito á algum tempo. Espero que gostem e deixem mensagens para sabermos as vossas opiniões! Beijinhos, Rita & Qeu

Fiz o teste de gravidez com toda a calma do mundo, não tinha esperança nenhuma de estar grávida, sentia algo que me dizia que não era desta vez que eu iria ser mãe, não era desta vez que daria um irmão ao Rodrigo. Podia perfeitamente estar grávida e sabia disso, porque fizemos sexo algumas vezes sem nos protegermos, ele devia pensar que eu tomava a pílula mas não gosto nada dessas coisas e quando o fiz pensei mesmo que não era por uma ou duas vezes que engravidava. Não era isso que me ia fazer mudar a vida, não era dois ou três orgasmos que me iam fazer mudar radicalmente a vida, me iam viver a maternidade pela primeira vez e depois da morte prematura do meu filho sentia que era quase impossível voltar a engravidar sem muito desejar ou pensar, afinal morreu um bebé no meu ventre, por minha culpa. Depois de o fazer, esperei alguns minutos calmamente, os enjoos e todos os sintomas que vivia pensei para mim mesma eram naturais, comi alguma coisa estragada, não estou bem, o período está para me aparecer, o meu corpo apanhou alguns vírus, inventava mil desculpas para não memorizar que estava grávida, e depois de fazer o teste apanhei um susto horrível. Enquanto esperava pelo resultado li as instruções e decorei a forma como dava negativo e nem sequer li como era o positivo, logo quando vi o resultado diferente do que esperava tive que ver nas instruções para ver se era mesmo o que queria negar. Li o papel algumas vezes, depois de ler o resultado algumas 4 ou 5 vezes, engoli em seco e fiquei durante vários minutos a tentar ter uma reação mas só olhava para o resultado, como era possível aquele homem dar-me cabo do dia mesmo mês e meio depois de nos vermos pela última vez?! E agora digo-lhe não lhe digo, fico com o bebé? Aborto ou não? As probabilidades do bebé nascer na minha cabeça eram poucas, muito poucas por isso não tinha com que me preocupar, o bebé não ia nascer, quando já estava memorizada e preparada para ter o meu Rodriguinho ele morreu por isso preferia não me preparar para ser mãe novamente e depois se algo lhe acontecesse eu já não sofria tanto, e como aguentei a morte do meu Rodri acho que se perdesse este também morria por dentro, desistia de vez de ser mãe, de me apaixonar, seria apenas eu eternamente. Por um lado eu gostava muito que o bebé nascesse, realizaria o meu sonho de ser mãe, de ter o meu filho, apesar de já me considerar mãe de um menino de 2 anos, queria ter um que nascesse, que tivesse vida, que eu desse tudo, de o ver crescer na minha barriga, o mais velho também cresceu e com 4 meses já tinha alguma barriga. Mas seguindo… Decidi reagir, levantei-me, agarrei nas chaves de casa e do carro, apesar de não ter carta eu aventurava-me a conduzir o carro da minha mãe e lá fui ter a casa do Ezequiel. Era perto da hora de almoço, logo ele deveria estar em casa, coloquei prego a fundo e lá fui, no caminho recebi chamadas da minha mãe, que recusei sempre e depois esperava chamada da Rita mas não, foi o Nicolás que me ligou e logo atendi, talvez ele me pudesse dizer onde estava o Ezequiel:

-Diz Nico. – Disse enquanto colocava o altifalante no telemóvel e o pousava no meu colo. – É melhor despachares-te porque estou a conduzir. – Não estava com paciência para joguinhos mentais, nunca tive mas eu queria ouvir os seus argumentos.

-Dei-te tempo para digerires tudo mas eu preciso mesmo de falar contigo sobre o que se passou com o Ezequiel. E depois preciso de saber se já fizeste o teste. Não vale a pena tentares dar a volta á história porque o pouco que te conheço já sei o que farás e o que esperar. – Não estava nada á espera desta atitude dele mas sabia que podia confiar nele e se não pudesse ele já sabia o que lhe esperava, uma grande tareia e um grande raspanete mais tarde.

-Eu gosto do Ezequiel não nego mas não gosto dele ao ponto de amar loucamente, não gosto dele ao ponto de perdoar tudo e as coisas para mim não estavam a resultar, ponto. E conheço bem a peça que ele é, conheço bem o estilo mulherengo dele, e não quero estar numa relação com um homem que não conheco e que não confio nele, lamento!- Era a mais pura das verdades.

-Mas podes estar á espera dum filho dele, pretendes esconder-lhe isso?- Ai Nicolás se não te calas eu obrigo-te a calar, estás a tocar nos pontos todos.

-Eu não posso, eu estou á espera de um filho dele! – Disse um pouco sem pensar no que dizia, disse-o e pronto e do outro lado oiço um silêncio assustador e dei-lhe tempo para responder. E assim que o fez, fez um pouco a medo:

-Tu… -gaguejava – Tu… -voltou a gaguejar e aquilo já me estava a dar a volta a cabeça.- Vais ter um filho?

-Sim, acho que ainda sei o que é que ando a fazer e com quem! – Comecei-me a rir – Só pode ser ele o pai, estou grávida tenho a certeza.


-Como é que sabes? – Disse a medo
-Fiz o teste de gravidez e deu-me positivo e descansa que vou dizer-lhe pessoalmente, escusas de lhe ir dizer a correr, mas por favor conta a minha prima não sei como lhe dizer e se ouvir da tua boca é diferente. Bem agora vou desligar que tenho um assunto a tratar. – Nem lhe dei tempo para responder e desligo a chamada. Estaciono em frente á garagem do Garay, assim ele não conseguia fugir para demasiado longe e porque era o lugar na rua disponível e como não tinha a carta ainda não sabia bem-fazer tudo direito, estacionei o carro á pressa e sai do carro, não toquei á campainha, ultrapassei o muro que cobria o seu jardim e fui direta a casa dele, quer dizer não era a casa dele, era a casa onde engravidei, ai que raiva porque é que não posso voltar atrás no tempo? Não estou arrependida de o ter feito, nem de o ter conhecido, nem de me ter deixado levar, estou sim com peso na consciência digamos, porque eu carrego um filho dele na minha barriga, mas porque raio não usei preservativo? Não preocupa, a criança não vai aguentar até ao final da gestação, vou sofrer outro aborto, o Rodri já não vai ser o meu primeiro e único filho, sinceramente acho que o problema não é deles é meu e do meu corpo, eu não tenho cuidado comigo como terei cuidado com um filho, que seria totalmente dependente de mim, como carregaria durante 9 meses um bebé se nem consigo passar 3 meses sem ir a uma festa divertir-me, apanhar uma valente bebedeira e divertir-me. Entro pela casa e vejo o Nico e a Rita na piscina, eles acabam por me dizer que o Garay estava lá dentro, peço a eles que se mantenham ali e não me seguissem, o Nico fez-me um olhar cúmplice e eu sigo para dentro de casa, ele estava na sala e eu sento-me ao seu lado no sofá, ele afasta-se para a outra ponta do sofá sem nunca mencionarmos uma palavra, eu mudo-me para o outro sofá e ele continuava sem me olhar e eu deito-me no sofá de barriga para cima. O silêncio era assustador e ele interrompe-o dizendo:

-Porque é que reapareceste agora depois de tanto tempo? – Perguntou olhando para a rua, na pequena janela que havia sobre a televisão da sala, não entendia qual era o medo dele de me olhar nos olhos e respondo olhando para ele e num tom de voz um pouco alto:

-Não voltei por “nossa” – Fiz aspas com as mãos, uma espécie de aspas imaginárias. – Causa. – Fiz uma pausa e respondi. – Voltei por outro assunto mais importante e tu precisas de saber.

-Não sei o que é não quero saber, só quero que te vás embora, tiveste o teu tempo e não o fizeste. – Foi até á janela mas antes de lá chegar vou a correr até á casa de banho, e a mais próxima era mesmo a casa de banho onde nos envolvemos e não aguentei, vomitei. Ele seguiu-me e ficou ao meu lado a ver-me vomitar e deu-me uma toalha para me limpar mal terminei. Depois vou beber um pouco de água e passo a minha cara por água, olho-me ao espelho e ele está atrás de mim. Limpo as minhas bochechas e olho-o através do espelho, não era face a face, olhos nos olhos, lábios nos lábios mas conseguia manter a decência, a calma e ao mesmo tempo observá-lo.

-Não sei como te dizer isto, eu não quis. Não quis. – Não resisti e deixar cair uma lágrima sobre o meu rosto e ele afastou-se, sentou-se junto ao jacuzzi onde aconteceu, onde poderíamos ter feito o nosso filho, ainda agora me parece estranho dizer isto. Deixei-me ficar onde estava, olhava-o através do espelho e vi que ele estava pálido, petrificado. – Eu... – Gaguejei. – Eu... – Gaguejei novamente, não tinha coragem para lho dizer, apesar de lho querer dizer não tinha pensado qual era a melhor maneira e era ele o pai do bebé, ele tinha que saber e foi agarrada nesse pensamento que termino a frase. - Estou grávida.- Disse apressadamente e baixando o olhar.

Qual será a reação de Ezequiel?
Como ficará a “história” deles depois deste teste? Como irá habituar-se Qeu a esta nova realidade?

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Capítulo 13: "O meu Passado e o meu Futuro"

Como é que és capaz? Confiei em ti, admiti que estava apaixonada por ti e tu simplesmente enquanto durmo vais ter com outra rapariga qualquer que provavelmente vais querer o teu dinheiro ou terem uma boa noite de prazer e adeus ou vai-te embora 21, pensei para mim mesma. Depois de me endireitar, levantei-me abri a porta do carro e ia direitinha a eles, a rapariga estava de frente para mim e o Ezequiel estava de costas para mim e assim que espreita por cima do ombro depara-se comigo, volta-se e estica os braços querendo dar-me um abraço ou espetar-me um beijo, mas assim que me aproximo dele dou-lhe uma valente chapada na cara e digo:

-É assim que queres que confie em ti? Põe a confiança num sítio que eu cá sei!- empurrei-o para cima dela mas ela empurrou-o para cima de mim mas eu recuou uns passos para ele não me tocar. – E não me venhas com justificações parvas e sem sentido! Está tudo acabado Ezequiel! Esquece que eu existo! – Dito isto começo a andar o mais rápido dali para fora. Eu gostava dele e a prova é que tinha assumido o que sentia mas não era meu estar numa relação onde não confiasse numa pessoa e que sentia uns ciúmes doentios, que me tirava a personalidade, não estava disposta a aturar aquilo, não estava disposta a abdicar de tudo por ele, não o amava loucamente a esse ponto e sinceramente não me agradava estar numa relação principalmente com um homem daqueles, não era pela profissão dele nem pela pessoa que era, era porque não o conhecia bem. Não sei havia qualquer coisa nele que não me deixava estar na relação 100% segura, talvez porque sinto que sou mais uma conquista para ele e não uma relação e preferia sofrer no início da relação porque ainda estava ciente de tudo do que dar mais tempo á relação e depois sair profundamente magoada porque criei esperanças e ilusões apesar de nunca ser como a maior parte das mulheres para mim não fazia sentido casar porque tudo é efémero e não valia a pena casar-me para depois de me divorciar, e para mim o casamento sempre foi um papel que se assinava e que não mudava nada nas nossas vidas, não tinha valor absolutamente nenhum. E não, não me imaginava a apaixonar-me perdidamente e aparecer um “príncipe encantado” para me salvar dos maus, não eu queria seguir o meu sonho a todo o custo independentemente de amar loucamente alguém porque amar loucamente e sem fins acredito que só mesmo os nossos filhos, já apanhei um susto terrível com a história das gravidezes e dos filhos. Apanhei um susto terrível, no dia em que fiz 16 anos a minha prima deu-me por brincadeira uma caixa de preservativos e um teste de gravidez, por brincadeira e eu acabei por fazer o teste e mais tarde dar uso á caixinha que ela me deu. Depois de fazer o teste deu positivo e não estava de pouco tempo, estava de 8 semanas, o que significava que estava grávida de quase 3 meses, tive o período enquanto estava grávida, parecia que o mundo tinha caído sobre mim, eu não esperava nada ser mãe ainda por cima com tão tenra idade mas ia aceitar a criança, quis que a gravidez desenvolvesse mais até dizer ao resto da família, eu não estava preparada para ser mãe e demorei algum tempo a aceitar esta gravidez e tudo isto, era muita mudança, iria deixar a escola e trabalhar, ia deixar de viver as minhas aventuras e dedicar-me ao bebé, ia mudar e mudanças nunca foi a palavra de ordem que eu preferisse na minha vida. Depois de noticiar a boa-nova á minha família, aos meus amigos e ao pai do bebé e deste me abandonar sem deixar rasto, que pensei melhor para mim porque assim educo o bebé sozinha sem ter um homem atrás de mim, sem ter um homem a educa-lo o que significava que estava entregue a mim e apenas a mim, o que me agradava. O bebé acaba por morrer no meu ventre já com quase 4 meses de gestação, o que me tirou qualquer força o que me fez chorar e morrer um pouco por dentro, me tirou as poucas esperanças que tinha no amor, eu já estava tão afeiçoado ao meu filho, era um menino e ia-se chamar Rodrigo, já estava tão ligada a ele, tão intimamente ligada, já tinha desejos, já falava com ele, já o sentia, já chorava, já não enjoava e acima de tudo já tinha tido as primeiras ecografias e imaginei tudo, já sabia exatamente o dia em que era suposto nascer, era o meu filho, era o amor da minha vida e eu faria tudo por ele.
Foi embrulhada nestes pensamentos que deixei o Ezequiel e comecei a andar para bem longe dali, chorei, não consegui evitar deitar aquelas lágrimas que me escapavam sempre dos olhos quando pensava neste assunto, era dos poucos, senão único assunto que eu não conseguia falar ou pensar, não conseguia fazer nada sem ser chorar, acho que o meu limite é quando não tiver mais lágrimas para deitar. E foi assim que o Ezequiel me apanhou já estava a uma distância considerável da praia, limpou as minhas lágrimas abraçou-me e eu não resisti, precisava do seu abraço acima de tudo mais, precisava de um amigo e o seu abraço apoiava-me de uma forma louca e incondicional. Depois de ficarmos assim durante algum tempo ele sussurra-me:

-Eu perdoou-te pelo que me fizeste eu perdoou-te e apoio-te, porque te adoro do jeito que és, dos estalos que me dás, de seres difícil e dos ciúmes doentios. Eu adoro-te pelos teus medos e pela tua insegurança e de uma vez por todas enfia nessa tua cabecinha que eu só te quero é a ti. A rapariga que viste é dona do bar eu estava a pedir-lhe para irmos á casa de banho e tomarmos lá o pequeno-almoço. – Mal acaba de dizer isto eu levanto-me e vou-me embora mas não sei antes dizer:

-Não volto com a minha palavra atrás. E as lágrimas que derramei não foram por ti, foram pelo meu passado, que já está morto e enterrado assim como o teu “amor”. – Fiz aspas imaginárias com os dedos. – Na minha vida. – Assim que digo isto começo a correr para longe dali sem rumo certo, apenas uma coisa saiba ia dar a algum lado.

Passado 6 semanas

Há 5 semanas que ando com uns enjoos matinais muito estranhos, os pequenos-almoços da minha tia quando durmo em casa dela e da minha prima Rita já não me parecem tão agradáveis como antes, ando sempre mal disposta, e quando digo sempre é sempre, parece que vivo na casa de banho, sinto-me desconfortável com o seu corpo e o meu período desapareceu há 5 semanas, o que é de estranhar porque nunca me aconteceu isto tudo junto mas fiz tudo para esconder isto dos que me rodeavam mas nas últimas duas semanas foi totalmente impossível porque a minha casa era tecnicamente na casa de banho e acho que a última vez que me senti assim foi durante as últimas duas semanas de gestação do Afonso, porque nos primeiros tempos estava normalmente até o período me apareceu normalmente. Estes sintomas todos andavam-me a deixar com a pulga atrás da orelha e por insistência dos meus tios, da minha prima e do Nicolás (sim!), sim do namorado da minha prima acabei por fazer o teste, se eu engravidasse só uma pessoa podia ser o pai, só ele… Podia ser o pai e depois do filho da nossa relação, nunca mais nos voltamos a ver ou falar e mesmo se eu não lhe dissesse que ia ser pai sabia que a minha prima e namorado lhe diriam e eu não queria de todo engravidar novamente e muito menos dele mas faria tudo para ele ser um pai ausente ou então para nem sequer ser pai, preferia apenas que o fizesse e depois desaparecesse. E também podia perfeitamente perder a criança nos primeiros 3 meses de gestação, como aconteceu com o Rodri (como lhe chamava carinhosamente), o meu filhote esse seria sempre o meu primeiro filho. E por um lado o teste também podia dar negativo e eu queria que fosse esse o resultado mas por outro lado queria muito viver a experiência da maternidade, apesar de a partilhar com um homem que não conheço bem e na verdade depois do nosso muito curto namoro e de ter já passado mês e meio depois do nosso fim e de não termos dito mais nada, eu sabia no fundo que continuava a gostar dele. Um dia bem cedinho, levanto-me visto-me:

Como já se começava a sentir algum frio de Outono optei por um vestido de manga comprido e ia com umas collants transparentes. 

E calcei:
Na verdade ia vestida para arrasar na rua, gostava de dar nas vistas e ser rebelde, eu ia sair á noite mais tarde, ia divertir-me, eu sei que para quem desconfia que está grávida, esta roupa e este calçado não são os ideias mas eu não queria saber e acima de tudo eu não queria estar grávida. Ainda oiço algumas assobiadelas mas sinceramente não queria saber, eu ia comprar o teste e fazê-lo-ia em casa. Cheguei a casa novamente, tranquei tudo, sabia que a probabilidade de aparecer alguém era nula mas eu precisava de me sentir “protegida” para saber o resultado deste teste, ninguém mesmo sabê-lo ia que o faria, ninguém desconfiava. Acabei por fazer o teste com fé e coragem no destino e tive a resposta...

Qual será a resposta ao teste de gravidez da Qeu?
Como será que irá reagir? O que lhe espera o futuro? 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Capítulo 12: “Se eu quisesse aturar uma birra de uma criança ia para educadora de infância“

Eu arrependi-me do que tinha dito, fui tão fácil, deixei-me levar, fui inconsciente e reagi sem pensar, não era de mim assumir assim que estava apaixonada, nada meu, por um lado eu queria dizer-lhe tudo isso, o meu lado sentimental falava mas por outro, o meu lado racional, não deixava queria ao máximo esconder o que sentia e negar até á exaustão o que sentia, era os meus dois lados opostos frente a frente: um contra o outro. Eu já o tinha dito e depois beijei-o, estava arrependida mas por outro lado não, era um misto de sensações, de emoções. Estávamo-nos a beijar, estávamos frente a frente e eu coloquei a mão sobre o seu peito e separei os nossos lábios, eu queria ouvir a resposta dele. Ele olha-me e responde:


-Eu também!-e voltou a querer encostar os nossos corpos mas eu levantei-me da mesa e separei os nossos corpos, fui andado atrás dele empurrando-o em direção á parede e ele recuava passo ante passo, até se encostar á parede, mordi-lhe o lábio e voltei até á mesa a correr.

Ele seguiu-me e sorriu, sentei-me na mesa e acabamos de almoçar, entre muitas risotas e brincadeiras, não só da nossa parte mas também porque vários fãs vinham até á nossa mesa e pediam autógrafos, fotografias, pediam um diverso número de coisas, algumas bastante parvas mas ele acedia a todas com muita calma e sempre com um sorriso na cara. A certa altura aparece uma rapariga bastante jovem com uma criança ao colo, vinha de mão dada com o rapaz que devia ser o seu companheiro, mas tarde descobri também que era o pai do petiz. O traquina era muito reguila e assim que se aproximam da mesa ele faz questão de fazer força até ir para o chão, e mal lá chega diz:

-Mãe, mãe. – Agarrou-se á perna da mãe mas a mãe não o olhou. – Por amor de Deus.- Claro que eu e o Ezequiel nos começamos logo a rir não era normal uma criança usar uma expressão destas. – Por amor de Deus mãe sou eu o teu filho Tomás. Olha para mim. – A mãe agarrou e colocou novamente ao colo e ele continuou a falar. – Este não é aquele que o pai diz que joga bem á bola? – Perguntou inocentemente enquanto apontava para o Ezequiel. – O companheiro dela agarrou no pequeno e colocou no seu colo, deu-lhe um carinho no rosto e disse:

-Tem cuidado com a maneira com que falas Tomás! Não conheces o rapaz de lado nenhum para o tratares assim! – O menino abanou que sim com a cabeça.

-Conheco sim! E tu também conheces dizes que ele joga bem á bola e que queres que ele jogue sempre, e depois quando marca golo tu gritas muito!- foi impossível não nos rirmos, a criança era um mimo, totalmente inocente mas direta, talvez se muitos adultos fossem assim só ficavam a ganhar, pensei para mim mesma.

-Obrigada pelo elogio meu pequenino!- o Ezequiel levantou-se e deu-lhe um beijinho na bochecha na bochecha e um “passou-bem”, mas ele fez questão que o pai o coloca-se no chão e respondeu:

-Eu não sou pequeno, sou grande e forte!- colocou-se apoiado sobre a ponta dos pés e puxou a t-shirt para trás e mostrou os seus “músculos”, eu só conseguia rir de tão divertida e animada, o Ezequiel também.

Tu és mais alto e grande e forte mas eu também sou, vais ver!- Começou a correr e o Ezequiel ia correr atrás dele mas o pai impediu-o e foi a correr atrás dele, a mãe pegou na folha que ele tinha assinado minutos antes e seguiu atrás dele. Começou uma conversa muito estranha, realmente e eu não estava a gostar:

-Um dia serei eu a viver o papel de pai se Deus quiser! E quem sabe não será contigo?-era uma pergunta retórica mas na mesma eu decidi responder, odeio ficar sem resposta:

-Aguenta aí os cavalos que isto ainda mal começou e tu já estás a querer andar em demasia. – Respirei bem fundo. – Uma coisinha de cada vez!

-Eu não disse que iria ser eu disse que poderia ser, nada mais por isso tem calma tu!- Ai tu vais pagá-las Marcelo, ai vais, vais! Pensei para mim mesma.

-Tem tento na maneira como falas, se falei bem contigo tu falas bem comigo. Respeitinho é bom e eu gosto e muito! Não penso ter filhos tão cedo, muito menos casar, isso é que está fora de questão.

-Porra que tu és teimosa que nem uma mula! – Comecei a gargalhar.

-Já vi que isto está a ficar sem rumo e muito azedo: fui! Depois vemo-nos. – Peguei na minha mala e ia embora, não queria saber do meu rumo queria apenas sair dali e não ouvir outra birra, se eu quisesse aturar uma criança ia para educadora de infância.

-Se quisesse aturar uma birra de uma criança ia para educadora de infância. A conversa não me está a agradar: fui! – Levantei-me da cadeira, agarrei na minha mala e ia embora dali não sem antes agarrar na chave do carro do Ezequiel, não tinha onde ir nem o que fazer, por isso o melhor mesmo era ficar sentada lá, á espera nem eu sei bem do quê. Ele não entendeu que eu lhe tirei as chaves, pensei para mim mesma: “melhor”. Sai num passo apressado e fui até ao interior do carro, deitei-me e acabei por adormecer. Mas o sono tão foi muito profundo, acordei minutos depois com um perfume a entranhar-se nas minhas narinas e era aquele perfume, era o Ezequiel, sentou-se no banco da frente e sem mais nem menos tirou a chave que estava em cima do banco do pendura e fez-se ao caminho, não me disse nada, nem respondia. Eu bem perguntei e tentei saber até onde ele me levava mas ele não disse, seguiu apenas caminho e nem cedeu á minha chantagem que sai do carro em pleno andamento, ele não me ouvia, apenas sorria e prosseguia como se não me ouvisse, como se fosse surdo ou como se nem sequer falasse.
A viagem ainda demorou algum tempo, lembro-me de atravessar a ponte e ir até Lisboa, por um lado não queria sair daquela praia mas por outro lado queria descobrir até onde ele me levava, acabei por desistir de descobrir onde íamos já perto do destino. Estacionou o carro e fomos até ao Castelo de São Jorge, ele pagou o bilhete e eu decidi não discutir desta vez, o silêncio era o modo mais confortante de estarmos juntos. Desfrutávamos a paisagem sobre a bela cidade de Lisboa, passamos toda a tarde sem falarmos e sem entendermos a noite surpreendeu-nos e a vista sobre a minha cidade tornou-se ainda mais linda.
Depois de algumas horas em trocas de carinhos, de beijos e de tudo a que tínhamos direito, eu decido quebrar o gelo e disse:

-Vamos parar com as discussões, com os desentendimentos, vamos parar com isto tudo. Vamos viver o momento, o nosso momento. – Sentou-se atrás de mim e abraçou-me, depois beijamo-nos, ele não queria falar e respondeu com gestos, não insisti. Ficamos assim mais um tempo e depois decidimos ir jantar, até porque o Castelo ia fechar. Jantamos e fomos novamente até ao carro, mas desta vez quem conduziu fui eu! É verdade que tenho idade mas não tenho carta mas já tenho experiência, já o fiz algumas vezes e tenho algumas aulas de condução, nunca tinha tido acidentes e tudo correu bem até agora, ele nada perguntou logo não inventei uma desculpa. Levei-nos até á praia onde acabamos por adormecer, mas no carro, a noite não estava agradável para se pernoitar na praia e nenhum de nós queria ir para casa então aventuramo-nos e dormimos na praia. De manhã acordo cedo, pouco faltavam para as 8h, e senti que o Ezequiel não estava junto a mim, levanto-me do carro e começo a procura-lo, mas a pesquisa pouco durou porque ele estava a conversar com uma rapariga e claro eu tive ciúmes e decidi ir ter com eles e pedir esclarecimentos, mas quem é que ele pensava que era para me deixar a dormir e vir falar com uma rapariga qualquer?!

O que será que Qeu dirá a Garay? E a rapariga?
Como reagiram aos ciúmes dela? Quem será a rapariga?

domingo, 2 de dezembro de 2012

Capítulo 11: "Estou Apaixonada Por Ti"

Eu chorava enquanto dizia aquelas palavras, magoava-me dizê-lo em voz alta mas esta ideia percorria a minha cabeça e o meu coração, por muito que me quisesse iludir eu não queria ser mais uma conquista na vida do Ezequiel, magoava-me e a expulsar tudo cá para fora talvez me sentisse mais leve, e foi o que aconteceu… O meu coração estava mais apertado que uma formiga depois de ser pisada por um elefante e a minha garganta estava mais apertada que uma pessoa com amigdalites, e depois de deitar as primeiras lágrimas senti-me mais “leve”, eu não entendia o porquê de ele me estar a afetar deste modo, o porquê de algumas atitudes quando estava com ele, o porquê de ele ter aparecido nesta altura da minha vida, eu não queria… Não queria! Não estava nos meus planos sentir isto e pior que isso, eu acho que me estou a apaixonar! Prometi a mim mesma que isto não me voltava a acontecer, eu não queria voltar a sofrer, não queria ter de chorar e prometi que não o voltaria a fazer por homem algum, não queria ter de entrar numa relação e mais tarde ter de lidar com o fim da relação e esquecer um homem que me preencheu o coração, prometi que o amor é louco e eu já era suficientemente louca na minha vida e não precisava de viver mais nada. Porquê Ezequiel porque é que apareceste na minha vida? Porquê agora? Eu disse e prometi que não voltava a dizer “amo-te” porque sofri tanto a última vez que o disse, eu não precisava de um homem na minha vida. Depois de minutos em silêncio, ele senta-se ao meu lado e acompanha o meu choro, depois de mais alguns minutos a chorar ele fala:

-Qeu ouve-me.- Sentou-se ao meu lado e colocou o braço por cima dos meus ombros e disse- Podem demonstrar uma imagem de mim que está muito longe da realidade e acredita que neste caso é bem real, recebi uma educação muito boa e ensinaram-me a ter muito respeito pela mulher e como gosto de ti e muito seria incapaz de te trair ou te magoar. E esperava que ao final deste tempo juntos já te tivesse provado que eu não sou esse tipo de pessoa. Não posso fazer mais nada, vou deixar que entendas por ti mesma visto que as minhas palavras não te servem de nada. – Levantou-se e senti-o cada vez mais longe, levanto-me e limpo as minhas lágrimas, vou atrás dele, agarro-o por um braço, ele volta-se para trás e eu digo:

- Desculpa Ezequiel, desculpa pelas minhas atitudes, desculpa pelas minhas dúvidas, desculpa pelo que acho de ti, desculpa mas eu não sou capaz de amar loucamente… Não outra vez!-senti novamente os olhos húmidos e ele abraça-me e diz-me:

-Podes contar comigo para o que quiseres!-pega-me ao colo e senta-se no chão, depois coloca-me no seu colo e dá-me permissão para falar e eu respondo:

-É tão difícil Ezequiel. Custa-me tanto tudo isto, custa-me pensar em viver um novo amor, custa-me pensar em apaixonar-me e custa-me dizer “amo-te”, eu prometi que não me voltava a apaixonar, prometi que não me voltava a pôr numa relação séria, prometi que não choraria mais por um rapaz e prometi que não sofria e entregava o meu coração a ninguém. Talvez não esteja preparada para amar e para ter uma relação séria, para receber um homem na minha vida e a sofrer, é tudo tão complicado e foge tanto ao que sempre sonhei.- Ele abraçou-me e eu senti-me melhor, ele limpou as últimas lágrimas que me corriam no rosto, as lágrimas teimosas e eu senti-me melhor, inspirou bem fundo o que me deu ainda mais calma, agarrou na minha mão e encostou-me no seu ombro enquanto olhávamos para o mar, depois de segundos a aproveitar-mos tudo isso ele diz:

-Eu vou estar a teu lado porque gosto de ti e muito e vou ajudar-te a ultrapassar todas essas barreiras, a venceres todos esses monstros que te invadem a cabeça e o coração, vamos dar tempo para nos conhecermos melhor, vamos dar tempo até descobrires o que sentes, vamos dar tempo até te sentires preparada para termos uma relação séria e mais tarde, sem pressão dizeres amo-te. Eu vou esperar por ti, e nunca, nunca te vou magoar!-sorri assim que ele disse isto e beijo-o, um beijo muito intenso, não foi um beijo como os outros que demos, foi um beijo de paixão, foi um beijo de amor, foi sentido, trazia emoções, trazia sentimentos e foi quase um “obrigada” que lhe disse. Depois disto começamos a namorar e a aproveitar o dia, a aproveitar os nossos momentos e falamos, esclarecemos tudo, não éramos namorados mas beijávamos nos e tínhamos os nossos momentos românticos, não estaríamos com mais ninguém e prometemos pelo mindinho (como daquelas promessas que se fazem na primária).

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Falamos muito e desabafamos muito mesmo, depois acabamos por ir comer ao bar da praia, onde almoçamos e eu decidi assumir o que sentia por ele, estávamos em silêncio e era a melhor altura para assumir o que sentia e ele me prestar o máximo de atenção possível:

-Acho que já tenho confiança para assumi-lo: estou apaixonada por ti!-Ele cruzou os talheres e levantou-se da mesa e eu levantei-me também, beijou-me e agarrou-me pelo rabo e sentou-me na mesa e começamos a beijar-nos com desejo e depois ele respondeu.

Qual será a resposta de Garay?
Será que juntos vão conseguir ultrapassar os medos de Qeu? Será que ele também estará apaixonado?